AS VINDIMAS DÂO VINHO, DÃO AMOR
== SETEMBRO tempo de vindimas no DOURO
Em especial na cidade de FOZ CÔA ==
Quando d’amor t’entornas,
Por graça ou algo similar,
Co’as uvas já nas dornas,
Começo logo a fervilhar!
Perguntei se qu’rias ser minha,
Muito breve, bem depressa;
--Quando está madura a vinha,
É que a vindima começa!
Das viúvas da minha aldeia,
Não zombe o mais devasso,
--Depois da uva bem cheia,
A inda resta bom bagaço!
Na vinha houve um abraço
No lagar, um grande carinho,
--O resto leva um amasso,
Pra ser bem espremidinho!
Junto às videiras, meu amor
Falam de ti, eu adivinho;
-- Quanto mais pisada for,
A uva, dá-nos melhor vinho!
Não te molestes, se por graça,
Eu t’abraçar, serei distinto,
--A videira também s’enlaça,
Depois dá-nos o vinho tinto!
Não avalies as canseiras,
Já co’as uvas no lagar…
-- As raparigas solteiras
São uvas brancas a vindimar..
Assim, vê la se te alegras,
Toda uva dá vinho e água-pé,
--As uva negras são negras,
Mas nunca cheiram a chulé!
Sobe a escada, desembaraça,
Não te rales co’o nosso sorriso
-- A vindima tem mais graça,
Feita às portas do “paraíso”!
Vindimas momentos de magia
Entre os corrimões em fileiras,
Pode-se ver o Man’el e a Maria,
Entre beijinhos sem fronteiras!
As uvas lá vão pró lagar,
Que é ancestral no lugar,
Inda primitivo de vara
A Maria no ano que vem
A admiração não é rara
Vejam a alegria que tem
Traz mos braços a chorar
Um bebé que e sua cara!
AS ARTES DA MULHER QUANDO QUER
Mulher é igual abelha: Ou tá um mel, ou tá te ferrando.
Para um casamento dar certo, é preciso que a mulher seja mais
bonita que o homem, e este mais rico que a mulher.
Homens são iguais a menstruação!
Quando chega, atrapalha. Quando atrasa, preocupa!!!
Há mulheres com escultura
“matam” todos de prezar,
Embriagam de aventura,
Co’o melhor pra se viver!
Surgem com maneiras gentis,
Com dialogo sem agravos;
Que o homem vê-se aprendiz,
Caímos com patos bravos!
Mulher? Como a descrevo,
Algumas, tudo n’ela se nota,
Que dizer assim me atrevo,
O homem é mesmo idiota!
Falso encanto e beleza,
Qualquer um cai n’armadilha,
Pra ela é fácil “presa”,
Que uma vida ensarilha!
Há estas contas a fazer,
Com muitas, muitas tabelas,
Sabem, muito bem o viver,
Tem que ser sempre com elas!
Claro, isto não é conversa,
Tudo que aqui apresento,
Pra mulher é o vice-versa,
Sem homem a vida é vento!
A mulher quando é bonita,
Tem as armas a seu favor,
Co’o corpo seduz, agita,
Um cadáver sem d’amor
Há séc’los, homem e mulher,
Vivem, lutam neste rolo,
Ela faz sempre o que quer,
O homem envolve-se, é tolo!
Talvez machismo ou vaidade,
Ou algo mais com ou sem nexo,
Perdem-se seja qual for a idade,
Com dez minutos de sexo!
A mulher é…primorosa,
Então quando se…dependura,
Saca o que quer proveitosa,
É p’rigo quando há fartura!
A mulher é… Poderosa,
Desejo de grana é comum,
Sensual sabe ser gostosa,
Quando quer sacar algum!
Emprega seus artifícios,
É ambição, é talvez sede,
É um dos seculares ofícios,
Que todos caiem na rede!
Mas meu Deus com um Vénus,
Ma nossa frente, que fazer?
Sejam grandes ou pequenos,
Seja lá o que for, esquecer!
Sou poeta por uma diva,
Que vivia ali n’avenida
Era de beleza excessiva,
Que deu cabo da minha vida
EPICÉDIO AO ROMANTISMO? POETAS NÃO!?
O Romantismo foi a maior mudança no pensamento
ocidental em todos os tempos
ISAIAH BERLIN
Ó bardos, que tanto amam o gongorismo,
sinto muito a tristeza do que se está a passar,
todos que gostam de sempre do bom versejar,
acabou, jamais renasce, o belo romantismo!
Bons sonetos! Serenatas! Isso d’encantar,
pouco ou nada resta d’esse divino lirismo,
a beleza! o lindo romântico feminismo,
Cupido! a formosura na mulher e o amar!
Já ao há espontâneos e cultos improvisos,
o problema social, mat’rial são mais precisos,
a grana em tudo é imp’riosa no meio escol…
O fulgor da Belle Época, nota-se incomoda,
a valsa de Strauss! Tango! Madrigal já não é moda,
o único que conta o rei do mundo: FUTEBOL!
ANINHAS E O PROFESSOR
Fora chamada à lição,
a ANINHAS ao professor,
uma rosa em botão,
já com sentido d’amor!
AMAR, o verbo infinito,
foi o tema n’aquele dia,
por ser sempre mais bonito,
o tal cheio d’harmonia!
AMEI! Que tempo será
--AMEI, a menina treme,
--é o futuro que virá,
ou passado que tanto geme?
--AMEI… Repete a menina
--AMEI…apenas segreda…
e diz com timidez divina,
--AMEI é…coisa “azeda”!
Corrige o velho gracioso,
com um sorriso talvez leigo,
»»AMEI…o tempo gostoso,
»» ao coração fala meigo!
»»AMEI é tempo que passa,
»» e deixa muitas saudade,
é cisma louca qu’esvoaça,
pelo tempo da mocidade!
»»AMEI, palavra da sina,
que já vem de nossos pais,
AMEI…. foi coisa divina,
e que nunca volta mais!
A ANINHAS pode jurar,
que viu—anotem por favor—
uma pura lágrima a bailar,
nos olhos do professor”!
QUADRA GLOSADA 246
Mote
Somente depois dos trinta,
Devia empregar pintura,
A uva quinado se pinta,
É quando vai pra madura!
Glosa.
Isto é frequente acontecer,
Seja humilde, seja distinta,
A mulher pensa como deve ser,
Somente depois dos trinta…
Ao ver a fofoca das amigas,
A beleza nem sempre é segura,
Quando se vê com bexigas,
Devia empregar pintura…
Sim, uma condizente cor,
Ou mesmo bem outra finta;
Sob o olhar do lavrador,
A uva quando se pinta…
Começa sua fase dilecta,
Assim, é fugaz a formosura,
A mulher só fica completa
É quando vai pra madura!
ALMA MINHA GENTIL de CAMÕES…
…Um “cheirinho” para recordar
O imortal soneto!
ALMA MINHA GENTIL…Que já não existe,
Partiste pró Olimpo assim tão de repente,
Que Deus te mantenha lá com toda gente,
Logo que eu fique cá com saúde em riste
Se lá no santo páramo pra onde subiste,
Recorda tua vida, atrevida, excelente,
Não olvides aquela paixão tão ingente,
Que tanto juraste que nunca tinha despiste!
Se acaso inda sentes que tem merecimento,
Alguma coisa que ficou agitar dorida,
Eu te perdoou-o sincero, ouve bem, cem por cento…
Reza por mim junto de Deus um Padre-Nosso,
Que me deixe demorar cá na terra com vida,
Porque ”PARTIR” tão cedo, fracamente não posso!
QUADRAS (QUASE) SÁBIAS!
O amor é, como o mar
Quando começa com ondas;
Um conselho, pró salvar
Meu amigo nada escondas!
Pra que dure um amor,
A não cair no precipício,
Dá-lhe sempre o mesmo calor,
Como começou no inicio!
Na vida isto acontece
Ao chegar a velho, verás bém
Não tens qualquer benesse,
Logo deixas ser alguém!
Nunca negues a esmola,
Ao pobre que te aparece,
Olha que tudo s’enrola,
Não se sabe o que acontece!
Poupa e guarda tua vida,
Em quanto és moço e robusto,
Podes fazer tudo de corrida,
Mais tarde vês o seu custo!
Mulata, qu’rida mucamba,
Saracoteia esse quadril,
A mulata quando samba,
Faz sambar todo Brasil!
O prazer é um peado,
O pecado por vezes prazer,
Como ser muito amado,
Que pecamos pra viver!
Tem o amor seu tribunais,
Onde se debatem os amantes,
Beijos e, outras coisas mais!
Depois ficam em paz com dantes!
Depois de grande querela,
É espantoso sem motejos,
É vê-los loucos, ele e ela,
Ali à porta em ternos beijos!
Mesmo sem fechar a porta,
Ali mesmo, no chão de loisas,
Cada qual bem se conforta,
Com muito mais outras coisas!
No amor não há idade,
Podes crer, acredita,
Quem ama tem mocidade,
Quem não ama é…parasita!
Adultério: ninguém quer
Acontece quem não quer ver,
Que a cabeça da mulher,
Vida a três não pode ser!
Quem conheceu o sofrimento,
D’amar, o bem e a beleza,
Pode morrer a cada momento,
Porque viveu com certeza!
Teu bem, saber que te quero,
Meu bem quer é aos molhos,
O amor quando é sincero,
Nada precisa senão solhos!
Nesta vida tudo avança,
N’uma corrida sem efeito,
Que fatalmente nos lança,
N’um mundo do despeito!
Tantos saltos e cambalhotas,
Na vida com tantos percalços,
Co’os amigos é que notas,
Quais os bons ou os falsos!
No bailarico da vida,
Não há quem não troque o passo,
Que a dança é tão atrevida,
Que não s’acerta o compasso!
Quando Lisboa adormecida,
Do luar se banha no Tejo,
A varina retoma sua vida,
Lá vai ela esbaforida,
Apregoar seu caranguejo!
Ali na praça da Ribeira,
Torna-se colorido o bulício,
A Micas toda galhofeira,
É a mais linda peixeira,
Ao seu pregão dá início!
-- Ó freguesa venha à sardinha,
Tenho carapau e linguado,
Não há amiga, como a minha,
Está viva, veja tão fresquinha,
Não há igual no mercado!
Seu pregão é forte, sonante
Distingue-se n’aquela babel,
Tenta vender ao comerciante,
Um vivinho fresco lavagante,
E outro marisco a granel!
Ela sabe do paleio e malícia,
Pra agradar a todo freguês,
Vai até à frase sordícia,
Ao cliente é sempre propicia,
Ri, compra volta outra vez!
Assim a todos agrada,
Brejeira, vende tudo asinha,
Quando vê, estar atrasada,
Vende barato o peixe-espada
Pensa no ZÉ, qu’está sozinho!
Pra ela Micas é o “peixão”,
A mais linda lá da viela,
Entre eles há amor, há paixão,
Aquela garota é tentação,
É por isso que péla por ela!
Vai acabar aquele namorisco,
Claro, espera que a mãe deixe,
Com tanto amor não há risco,
Pr’ambos já um pequeno aprisco,
Ela safa-se bem vender peixe!
TROVA GLOSADA 244
MOTE
Amor é chama de raio,
Amor é nosso destino;
Amor é rosa de Maio,
Amor é bálsamo divino!
( Trova popular)
GLOSA
Eis uma definição confusa,
Nela tantas vezes caio;
Como poeta digo, a Musa
Amor é chama de raio!
Que surpreende qualquer,
Quantas vezes defino,
Amar errada mulher,
Amar é nosso destino!
Não podemos fugir, garanto,
Nem deste parecer sai-o,
Que sei, nunca é quebranto,
Amor é rosa de Maio!
Que colhemos com cuidado,
Pra não perder o odor fino,
Que nos segue pra todo lado,
Amor é bálsamo divino!
VERSOS?!... D’ESTRO SUBMERSOS!
Não há ninguém, mesmo sem cultura,
que não se torne poeta quando o Amor toma conta dele.
Todo homem é poeta quando está apaixonado.
O louco, o amoroso e o poeta estão recheados de imaginação.
Versos?!... Mas afinal o que são poemas,
Que se compõem n’um momento de ilusão,
Amor! Tristeza! Vida de bem ou confusão,
Com pensamentos alegres ou problemas!
Versos?!... Musa que vibra nosso coração,
Que nos diz:-- Avança, agora, não tremas
Aproveita a viver, em boas águas remas,
Chegou o amor, não há melhor ocasião!
Faz já uns versos, a eternar tão mimoso feito,
Não te faltam justas rimas com doce efeito,
N’um poema lindo que vai sair um primor…
No fim, um poema são nada mais, nada menos,
A descrever gongoricamente aquela Vénus,
Que tanto amaste n’uma noite luar d’amor!
. AMIZADE É: Um conselho é ...