A LIRA POR VEZES DELIRA…
Não gira, nem m’inspira!
Minha Musa, anda talvez ausente, frenética,
Com pensamentos loucos, com certas anomalias,
Da vida! Do amor com vontades! Fantasias,
Que me foge sem qu’rer ao controle da ética!
Gosto de, consultar léxicos com filosofias,
Assim, quando a Musa se fecha hermética,
A sinonímia certa, deve ter dialéctica,
Só tem palavras banhadas de melancolias
Então faço uma pausa de largas horas,
No fundo pressinto, tem que haver demoras,
Pr’aflorar os pensamentos pra certo poema….
Pra sair como deve bem, sem ter correcções,
Por vezes exige, contra a vontade palavrões,
Mas aprovo, logo que a lira não fuja ao tema!
TROVAS…NOVAS (2)
Nada é impossível neste mundo quando
as coisas se fazem por Amor à causa!
A Mulher com defeitos,
Se une a homem de ventura,
Ela asinha com jeitos,
Estraga a sua boa figura!
Aqui na minha vivenda,
Tenho um vaso grego antigo,
Que serve de curiosa lenda,
Pra trazer cá muito amigo!
Falava um certo juiz,
Em casa d’amigos finos,
--Sabem, fico muito feliz
Em condenar os valdevinos!
A raiva que m’atordoa,
---E quando isto acontece
Ter que ouvir certa pessoa,
Às claras mentiras que tece!
Sim, realmente é verdade,
Sou simples, não idiota,
Ter que ver com amizade,
Quem vejo que é anedota!
Busco calma no teu seio,
Tão cândido, tão macio,
Mas logo com tal enleio,
Sinto, um outro desafio!
Triste destino levamos,
Se a mulher que se ama
Se acoita n’outros ramos,
Da grandeza e da fama!
Com amores me torturo,
Sou ciumento pertinaz,
É por isso que meu futuro,
Anda sempre mudo pr’a trás!
No amor a gente não muda,
Mulher bonita no encanto,
Nesta teia ninguém se iluda,
Pra sair, pinta a manta!
O AMOR É FOGO DE CAMÕES!
O amor é, não se sabe o quê;
Envia-o não se sabe quem,
Vem, não se sabe de onde;
Gera-se não se sabe como;
Sente-se não se sabe quando;
Contenta-se, não se sabe com quê;
Perturba-se, não se sabe qual a ocasião;
Finalmente morre, não se sabe porquê! (?)
Amor é fogo…Assim escreveu Camões…
Seria só poetar ou talvez d’amor arder,
N’um soneto que ficou mesmo pra valer
É sempre recitado quando há paixões!
Amor é fogo…Quando é puro pode-se ver
Como lava flamífera de todos vulcões,
Seu ardor mostra-se em todas ocasiões,
Que ninguém é capaz de tal fogueira suster!
Amachuca! Queima! É, muito mais que brasa,
É fogo, que muitas vezes desvesta, arrasa,
Tem oportunidades, pr’aquele que souber…
…Atira-se ao fogo com amorosa medida,
Enche de grande incandescência sua vida,
Que o soneto de Camões “queima” uma mulher!
NOVAS... TROVAS!
Pra quem gosta de poesia,
A trova sempre inebria!
O povo aprova,
A filosofia da trova
A canta até à “cova”!
O amor é flor em botão,
Por aí em qualquer canteiro,
Com tantos quês a compor,
Pra colher o verdadeiro!
A mulher mesmo formosa,
Deve pensar no seu porte,
Pra que assim zelosa,
Venha um dia ter sorte!
A vida é sonho festivo,
Quando há gozos d’amor,
É este o grande motivo,
De procurá-lo com ardor!
Dizer em quatro rimas,
Tudo de teu corpo distinto,
Seriam belas obras-primas,
A fazer d’aquilo que sinto!
Na estrada do amor,
Há bastantes cruzamentos,
Se não pára co’o vigor,
Há desastres aos centos!
Amigo, a vida é um jogo,
Num intrincado problema,
Uns vivem com desafogo;
Outros em situação estremai!
Quisera a vida parada,
N’uma eterna mocidade,
Vida feita madrugada,
De amor e, felicidade!
De ver a vida perdida,
D’erro d’amor que cometeu,
Julgou na vida sem saída,
Tonta na “vida” se meteu!
Pra que tenha sucesso,
Ver boa vida à tua frente,
Não penses muito no acesso,
Basta ser corrupto prudente!
Muito bonita e muito só
Deve ter olhos bem abertos,
Olha que o homem não tem dó,
Em paleio são espertos!
Nesta crise d’amarguras,
A falácia nas assembleias,
Prometem mil venturas,
Que logo se sabe são feias!
Quem vive precisa dinheiro,
Emprego com boa norma,
Mas há p’raí muito batoteiro,
Com cinco mil de reforma!
Um dia quando o amor vier,
Penso sincero vai dar azo,
Pr’adorar certa mulher,
Pra compensar o atraso!
No dia em que nasci
Minha mãe disse assim:
Vejam! Vejam aqui
A flor de meu jardim!
Reprimo todos meus enleios,
Quando estou a teu lado,
Ponho os olhos em teus seios,
Pra ficar todo atarantado!
Amigo a vida é, baralho
De cartas, que banal se joga;
Uns lisura, com trabalho;
Outros a batotice afoga!
REGRESSO TARDIO A COIMBRA!
Não se pode viver de passados, mas é preciso
Uma dose de recordações pra manter a estrutura do presente.
Coimbra, não é só a tal canção conhecida,
Há tanto, tanto aqui pra recordar, que digo
Há em todos cantos melodias do tempo antigo,
Que ouves a grafonola que foi ali tua vida!
Talvez lembres a serenata feita com teu amigo,
A certa donzela que pra ti era querida,
Mas choveu, a potes, a guitarra ficou…”ferida”,
Que ficaram encharcados, não havia abrigo!
Se fostes estudante, certo, voltas à taberna,
Pra beber um “copo de três” com saudade eterna,
Do tempo juvenil das melodias bonitas…
…Dos fados e guitarradas d’Armandinho e Hilário,
Ouves triste, o tempo não tem sentido contrário,
Que recordas, seu fim no baile da Queima das Fitas!
QUISERA VER-TE….
À DOLORES, minha esposa perfeita!
Quisera ver-te, sempre assim sorridente
N’aquela placidez das almas puras,
A contemplar o azul do céu, tão lindo,
E a reflectir talvez nas minhas juras!
Quisera ver-te sempre alegre, rindo
A transformar em dita as amarguras
Ao ver que te consagro amor infindo,
Tornar a mais feliz das criaturas!
Quisera ver-te sempre assim, formosa,
O véu castanho dos cabelos teus
Aureolando a tua tez mimosa…
Eu ébrio d’amor, tu assim singela
Tocar um beijo quente os lábios meus
Risonha, meiga, sedutora e, bela!
O VELHOTE AVARENTO
A avareza perde tudo ao pretender ganhar tudo.
Os avarentos amealham como se fossem viver
Para sempre, os pródigos dissipam,
Como se fossem morrer.
Certo velhote excêntrico com manias,
Possuidor de moedas d’ouro brilhantes,
Pensou pasmar seus ávidos semelhantes,
Enchendo seus cofres com ricas pedrarias!
Ao hipócrita jogo, todos os instantes,
A plebe, batoteiras, os grandes rufias,
Tudo lhe “gamaram”, tudo, em poucos dias,
A esse velho pedante entre os pedantes,
O ambicionar riquezas, de ouro a febre,
A quantos homens ricos n’um momento,
Transformam seu palácio n’um casebre…
Neste mundo é bom ser pobre, sem dote,
Ou então ricaço, sim, mas avarento
E não palerma como o meu velhote!
POLITICOS APRENDIZES
Você pode enganar algumas pessoas todo tempo.
Você pode também enganar todas as pessoas algum tempo.
Mas você não pode enganar todas pessoas em todo o tempo
Abrahan Lincoln (mas certamente muitos políticos tentam…)
Se começássemos a dizer claramente que a democracia
É uma piada, um engano, uma fachada, uma falácia
E uma mentira, talvez pudéssemos entender melhor.
José Saramago
CAROS CIDADÃOS:
Nossa política, vimos, abraça momentos maus…
Não é d’agora, já vem do passado com defeitos,
Com corruptos “intocáveis” com gastos suspeitos,
Que nos mostram hoje quem foram esses maraus!
Os milhões da CEE tinham que ter d’outros efeitos,
Senão era de prever que íamos ter estes vaus,
Inda não caímos, mas estamos nos piores degraus,
Em tempo devíamos ver as contas com tais sujeitos!
Só pensavam no povo em tempo de eleições,
Beijinhos, por votos, pra no poder, serem mandões,
Mas peritos em finanças não eram entendidos…
Foi um descalabro d’essa incompetente…”tropa”,
Hoje pode-se ver, somos os últimos da Europa,
(Des)unida, total entre nós por dois partidos!
(2)
Assim, deram cabo do movimento democrático,
O povo está vivo, increu, revoltado sem fôlego,
Afogado de impostos, mas pior é o desemprego,
Sem poder de compra, tudo isto é, sintomático!
Os bancos em tempos emprestava sem relego,
Agora, o povo aflito vê o erro “socrático”,
Meteram esses milhões n’um rolo burocrático,
A perder seus parcos bens e, tantos, tantos, seu ego…!
Esses tratantes! que levaram o país à ruina,
Continuam à solta, no bem-bom, gente “fina”,
Com chorudas reformas e, com nobres “alianças”!
Nem sei como o ZÉ consegue gerir suas vidas,
Já se conhecem, famílias, por isto desunidas,
Com problemas de tal agnosia em finanças!
DOLORES E A POESIA
Pelas ruas que passei,e pessoas que encontrei;
Dolores, tu és, das que jamais esquecerei...
DOLORES és o meu desejo.
Quero noites dos sonhos teus,
quero dias, tardes, noites de
céu estrelado, banhado de luar.
Quero toda a vida te amar...
Aqui no DOIS AMORES!
Dolores! Já te dediquei centenas de poesias,
Em todas classes, Sonetos! Trovas e quintilhas,
Que sempre comentas, pra ti, são maravilhas,
Porque sabes, d’amor, o meu amor faz magias!
Só podia ser, um esposo, fazer estas partilhas,
Lê, Meu Mais Que Tudo, pra ti não são fantasias,
Quero deixar, escritas pra ti minhas alegrias
Por viver contigo e vencer todas guerrilhas!
Hoje, a falar d’amor, dirás, que voltei a fedelho,
Mas diz bem, o povo; O coração nunca é velho,
Assim trovador digo: Amo-te, tanto, ó tanto…
Que me sinto jovem com outrora no meu papel,
N’aquela viagem a Albufeira, nossa lua-de-mel,
Onde nosso amor s’eternizou sob real manto!
Desde esse Setembro tens poético um jardim
Fiz-me poeta, só por ti, a quem dás tanto relevo,
Que falas sempre, ninguém escreve como escrevo,
Pois sabes, no meu peito pra ti há poesia sem fim!
Dizes, tenho sempre tema, é chama, é enlevo,
Que sempre te dediquei tinha que falar assim,
Deu resultado nossa vida tem este quindim,
Pensávamos no DOIS AMORES com mais relevo!
Emigramos em Lua-de-mel, trabalhos “tratantes”,
Porém, pra ti houve poesia que nos uniu amantes,
Mesmo na luta qu’enfrentamos a chamar “horrores”…
Eu t’escrevia poemas, pra atenuar aquele inferno,
Que ambos lutávamos pra ter um viver moderno,
Graças a Deus, vencemos a Musa erigiu o DOIS AMORES!
O teu Nelson eterno
SAUDADE DA VELHA LISBOA
Ó LISBOA! Velhinha LISBOA,
De todos poetas fostes poesia,
Na Mouraria! Alfama e Madragoa,
Todos t’enfeitavam com proa,
Eras como amante que se qu’ria!
Recordo tuas airosas varinas,
Rua a baixo rua acima:
--Ò freguesas! Ó Meninas,
Venha ver as minha corvinas,
Têm frescura que anima!
Eram lindos os pregões antigos,
Ecoavam sonantes nas vielas:
-Ó freguesa olha os belos figos,
Estes são só prós amigos,
Colhidos nas saloias courelas!
Lá iam os lépidos ardinas,
Sempre a correr, sempre a cantar,
Co’as noticias matutinas,
Com impudor de certas “meninas”,
Apanhadas à esquina a copular!
Não havia lésbicas nem gay’s???
Ou pornografia descarada,
Pra tudo havia rígidas leis,
As “meninas” tinham seus bordeis,
Ai, de quem forçasse a entrada!
Hoje Lisboa virou ao avesso,
Acabaram de vez co’as tradições,
Aclama-se o sexo sem tropeço,
Que’enoja o pertinaz apreço,
Fazem, dizem, por meros tostões!
Ó Lisboa, quem te conheceu,
Como bem por dentro te conheci
Chiado! Martin Moniz! Coliseu,
Tudo tinha verniz e apogeu,
Que dor hoje o que vejo aqui!
Era o alvoroço no Politeama,
O Coliseu, com casa cheia,
Por ali toda noite em chama,
Havia no Condes bom programa,
Sempre bons filmes com tareia!
No final zás, era ir ao Bonjardim,
Ou ao cacau quente à Ribeira,
Em cima, na Trindade um festim,
Lisboa n’esse tem era, sim,
A castiça Lisboa verdadeira!
Até mesmo o velho Bairro Alto,
Já perdeu todo seu feitiço
Os bordeis não têm áureo asfalto,
No ext’rior é um sobressalto”,
Farta-se, enoja tanto reboliço!
Lisboa! Jamais será o que era,
Como a diversão no Parque Mayer,
Meu Deu, que alegre atmosfera,
Que todo alfacinha tinha venera,
Como Lisboa fosse sua mulher!
. AMIZADE É: Um conselho é ...