VINTE E CINCO DE ABRIL 2013
== 1975 == 2013 ==
Democracia com fome, sem educação e saúde
Para a maioria, é uma concha vazia."
(Nelson Mandela)
"O princípio da democracia é dar e receber;
Dar um e receber dez."
(Samuel L. Clemens)
Caros cidadãos:
São Trinta Oito vezes que o Povo comemora,
O Vinte Cinco d’Abril sob tão bons auspícios;
Aquele dia que nasceu com lindos indícios,
Ia ser enfim, o Abril com a desejada aurora!
Liberdade! Liberdade, sem mais malefícios,
A PIDE explodia, como uma bomba sonora,
Tudo certo, bom mas, era Boceta de Pandora,
Que ninguém via, viu, com seus furos e, ofícios!
Nós, cegos, peados, o que era a democracia…?
Aqueles discursos??!!! Promessas!!?? Era utopia,
Foi tudo demais, talvez colectiva “bebedeira”…
…Que contagiou todo Portugal de lés-a-lés,
D’uma euforia gigantesca de todos olá e olés,
Que o povo saiu pra rua co’a linda bandeira!
(2)
O Povo desfraldou este majestoso pano,
Eu m’evolvi n’ele a chorar d’alegria real….
Co’o fim da ditadura, enfim, um novo Portugal,
Desta vez o grito da vitória não tinha engano!
Mas houve tantos partidos que foi infernal,
Co’a ânsia do poder e com dif’rença de plano,
Que à toa, sem bases tudo acabou em…dano
Restam dois partidos, que vimos gerem mal!
Desde então, sempre com alternados partidos,
Com birras! Falacia falsa que somos atingidos,
N’um desastre que não sabemos qual é o mais vil…
Que ao fim de Trinta e Oito Anos isto se nota,
Estamos nas mãos da Troika, em bancarrota,
Eis o que nos deixaram pra festejar o 25 d’Abril!
AMOR E AMAR
Amamos mais aquilo que com mais esforço conseguimos.
(Aristóteles)
As paixões cegam. O verdadeiro amor torna-nos lúcidos. (?)
Amar é descobrirmos a nossa riqueza fora de nós.(?)
Isto d’amor e amar é, tema quente controverso,
Do qual poetas e escritores muito têm dito,
Há escritores qu’escrever amor eterno é um mito;
Há poetas que só falam d’amor no seu verso!
Sempre houve ideias díspares, até ao infinito,
Amor? Só o primeiro, sempre de ternura submerso,
Amar perdidamente tem de sonho um terço,
Nos romances muito d’esse amor está escrito!
Amor surge como novidade, que embriaga,
Co’o tempo, ora nos eleva ou logo nos esmaga,
Amar sincero, muito, tem que se fazer por isso...
Encanto? Desencanto? Amor, amar é surpresa,
Que cada um deve gerir, fiel ou esperteza,
Amor e amar é do mortal o eterno feitiço!
A SOCIEDADE ACTUAL
É uma hipocrisia esforçarmo-nos para ser bons;
temos de nascer bons ou então
não vale a pena metermo-nos nisso.
Feliz daquele que desfruta agradavelmente da sociedade!
Mais feliz é quem não faz caso dela e a evita!
Voltaire
Grande embaraço é crer na sociedade,
Esta é, actual somente aleivosia,
Ninguém respeita como deve ser amizade,
Ninguém recebe qualquer bem como devia!
A desfaçatez impera como necessidade,
Pra vencer agarra-se a tempo à ousadia,
Vejam o respeito não existe, em verdade,
Deu lugar a desprezo nem é, anomalia!
Este procedimento é, por aí bem vulgar,
Qu’espanta aquele que inda quer amar,
Vê isto não se quer ver em embrulhadas…
Esta vida não é mais que um carrossel,
Onde na sociedade cada um faz seu papel,
Ou seja um grupo de pessoas mascaradas!
O FADO E O POVO.
O nosso povo e o fado
Dedicaram esta venera;
Hoje co’a AMÁLIA ao lado,
Dantes a herança da SEVERA!
O povo é que faz o fado,
Com reconhecida paixão,
Mesmo co’o fado passado,
Onde hoje é sua canção!
O fado que era dantes,
Tem hoje igual prazer,
O povo com seus descantes,
Jamais o deixam morrer!
É esta a alma do fado,
Mesmo no tem que corre,
É pelo povo adorado,
Assim o fado não morre!
É do povo esta inclinação,
A melhor tantas, tantas vezes,
O fado é a nossa canção,
Que cantam todos portugueses!
Podem-lhe chamar elegia,
Novelas sempre com drama,
O fado não é fantasia,
Foi a Amália que lhe deu fama!
Hoje Marisa e Dulce Pontes,
Cantam ao mundo esta realeza,
Divulgam todos horizontes,
Da pura alma portuguesa!
O povo, faz, fez milagres,
Quando a Amália morreu,
Hoje, de Caminha a Sagres,
Cantam o fado que é seu!
O fado é, talvez o nosso fado,
Nas guitarras e nos fadistas,
Co’o poeta sempre ao lado,
Assim o fado faz conquistas!
Com quadras bem escolhidas,
O fado tem este recheio,
Historietas de vidas,
Com dramas e com anseio!
O poeta assim escreve,
Todos fados com bo rima,
N’um poema tão breve,
Que o povo lê obra-prima!
O povo gosta de fado,
Por conhecer seu tema,
Popular de ser cantado,
E, pelo miolo d seu poema!
Ao fado do séc’lo passado,
O povo presta-lhe preito,
É sempre d’ele aliado,
Escondido no seu peito!
O fado quer atmosfera,
Silenciosa desde inicio,
Que nos recorda a Severa,,
Ou Severa ou eterno Maurício!
Seja qual for o pensamento,
O melhor e mais influente,
N’ele o povo a todo momento,
A Amália está presente!
O DEVER DO POETA!...
Velho, mais atento ao mérito da Camena,
Tão culta, exigente com seus fies amantes,
Faço o que sei com termos simples ou bacantes,
Como gostam de ler como Calliope ordena!
Compor sonetos precisam de rimas galantes,
Que mostra que o poeta no fraseado acena,
Com conhecimentos cultos que ler vale a pena,
Com atenção, isto é, perder uns instantes!
Toda trama poética tem que conter plena,
Alguma frase da vida, d’amor, azar marcantes,
Pra escrever com alma exaltada, serena…
Que a Musa tenha quentes arroubos relevantes,
Pra não levar gracejo ridículo de cantilena,
Há quem sabe mais, há por aí, críticos bastantes!
TEUS QUATRO ELEMENTOS
Nada na vida é perfeito, mas você é que mais se aproxima da perfeição!
Oi, que olhos lindos você tem. Posso olhá-los pro resto de minha vida?
São quatro elementos femininos,
Que teu corpo, Meu Bem, encerra,
De tão divinos, tão divinos,
Que fazem dos homens “meninos”,
Os mais venturosos da terra!
Teus olhos! Tua boca! Teu sorriso! Teus seios,
São as quatro maravilhas de grande efeito,
Que me inspiram concupiscentes galanteios,
De teu curvilíneo corpo assim, tão perfeito!
Além de tantos encantos, vejo teus meneios,
De teu andar, deixam-me a monologar a eito
“Coisas” deliciosas de inefáveis enleios,
Co’as volúpias passadas n’um fofo leito!
No teu corpo reúnes tudo quanto é preciso,
Pra erigir com amor, sensato, um paraíso,
A tentar um homem com felizes “venenos”…
Tudo qu’exibes são pró homem, maravilhas,
É pena que não faça parte d’essas partilhas,
És a sedução, talvez, mesmo avatar de Vénus!
O MOMENTO DO AMOR!
O amor é como uma guerra:
Fácil de começar Difícil de terminar!
Meu amor é como uma flor, faço tudo por teu amor.
(Menatti)
Não sei definir o momento,
Quando me vi no teu leito,
Senti tal estremecimento
Com aquele movimento,
Só soube dizer: -Aceito…!
Faz de mim o que quiseres,
Que seja bom neste programa,
A mais feliz das mulheres,
Farei tudo que quiseres,
Pr’apagar esta viva chama…!
...Que m’abrasa e tanto sufoca,
Neste compasso continua,
Procura, Meu Bem, minha boca,
Aproveita eu estar louca,
Quero enfim ser toda tua!
Com tudo mesmo que se faz,
Neste entusiasmo, quente
Vem ver o que sou capaz,
O melhor que me satisfaz,
Quando tanto amor se sente!
Se é ou não mesmo loucura,
Será, repito, são desejos,
Aproveitamos em quanto dura,
Do amor tanta fartura,
Cobre-me já, de mil beijos!
Já meu corpo estremece,
Neste sensual alvoroço,
Que seja esta benesse,
Deste amor que m’enfurece,
Que refrear já não posso!
Pode acabar o mundo,
Pode escurecer o sol,
Vamos a isto a fundo,
Já de prazer me inundo,
Todo resto que se amol’!
Só lamento este castigo,
Ter negado o que qu’ria,
Era estar assim contigo,
Mas neste momento digo:
Vamos gozar esta magia!
Que hoje a nossa seja esta,
Co’o máximo que deve ser,
Vamos fazer do amor a festa
Que o resto da vida não presta,
Que importa depois morrer…?
Que não nos falte a energia,
Que a potencia não diminua,
Saciar minha fantasia,
Que contém a afrodisia,
N’este êxtase ser assim tua!
Que a posse seja sim, unida,
Com meu e teu pensamento,
Fazer amor, ninguém duvida,
Ser melhor que tem a vida,
É de fruir este momento!
ARRISCO PEDIR, PAPA FRANCISCO…
A pobreza tenha algum petisco…
A guerra, não seja corisco…
A paz seja enfim real obelisco…
Papa FRANCISCO, hoje co’o poder divino,
Tão popular, nova era surge no Vaticano,
Pelo que se lê, prá pobreza serás humano,
Serás junto do povo um astro argentino!
Foram Perón! Evita o centro mundano,
Hoje TU és Papa, que aja outro figurino
Vais ter um papado sob um conceito fino,
O povo já t’adora, confia no teu plano…
…Que é, junto dos pobres um mecenas,
Pra ajudar, defender algumas das penas
Que pelo mundo fora a fome é inda risco…
…Que é preciso debelar a todo custo de vez,
Assim como acalmar os povos em guerra que vês,
Ser curial, eis o que pedimos Papa Francisco!
O DOIS AMORES É DA DOLORES…
(…Completo pelos seus labores!)
Mulher que olvidou os vestidos,
Pelos seus sonhos queridos!
Uma casa feita com seu suor,
Na vida é o feito que se faz melhor
Caros leitores:
Dolores e Dois Amores, leiam, rimo perfeito,
Como é, mulher casa, casa mulher, seu sonho,
Depois esta Mulher rara que aqui componho,
Pra rechear a casa ao gosto, foi mesmo preito!
De Mulher d’emigrante que um dia, risonho
Desejo fazer casa com tudo, lindo e direito,
Ninguém sabe o que a Dolores por ela foi feito,
Seu trabalho triplicou, talvez, mesmo medonho!
Não perdia uma hora; a casa fora e int’rior,
Tinha que ter tudo bom, de primeira a compor,
Sua decoração, pode-se ver, no seu recheio…
Era a Fenix, a Dolores, lida e tempo, tempo e lida,
Foram Vinte Cinco Anos d’uma “feroz” vida,
Pela rima, Dolores e Dois Amores seu galanteio!
(2)
Quem admira Dois Amores diz: Deus! Que ventura
Morar nesta casa, são ricos, vê-se estes desejos,
Jardim! Flores! Tanta poesia…Ó, estes azulejos…?!
É de pensar assim, mas creiam, tem outra textura!
Foi SÓ d’uma Dolores d’hora a hora, sem pejos,
Pelo seu sonho esqueceu. Vejam bem sua figura,
Era poupar pró Dois Amores ter a tal moldura,
Tinha que ter tudo como deve ser prós festejos!
Sim, Dois Amores é sonho lindo de toda gente,
Mas como foi erigido, não é de qualquer ente
Tal labor n’Alemanha anos e anos sob tantos rigores…
Não é pra qualquer mulher por uma casa capaz,
A Dolores foi um fenómeno que, louvar m’apraz,
Que repito, Dois Amores é, o Éden da Dolores!
A MULHER E A BELEZA.
Sócrates chamava à beleza uma breve tirania;
Platão um privilégio da natureza;
Theophrasto uma eloquência muda;
Diógenes a melhor recomendação;
Teócrito uma serpente oculta sob flores;
Bion um bem que nos pertence;
As mulheres, que fazem consistirem o seu maior
Merecimento na sua BELEZA,
devem reflectir que uma bela mulher…
A bien peu de temps à é tre,
Et long-temps à ne l’étre pas:
Olá! Olá! Linda mulher,
Não seja assim vaidosa,
Vê, todo homem te quer
Mas não te quer tão zelosa!
A beleza pode ser factor,
Pra te olharem com bons olhos,
Deves ver isso é amor,
Pra te meter em escolhos!
Tudo na vida é passageiro,
E tu sabes d’isso com certeza,
Vê, como foge o dinheiro;
Vê, como foge a beleza!
A juventude é um engano,
Engano porque não s’avalia,
O tempo que tem bom plano,
Mas que termina certo dia!
A beleza tem o mesmo traço,
Tem efeitos em toda mulher,
Mas um dia diz: Que faço
Agora sem meu rosicler?
Toda vaidade rigorosa,
De maneira que componha,
O canteiro cor-de-rosa,
Que tem a dita que sonha!
É conhecida a história,
De Lucrécias e Agripinas,
A beleza foi inglória,
Que as tornou assassinas!
A Helena! A bela Helena,
A beleza era sua jóia,
A história a condena,
Causou a guerra de Troia!
Tantas mulheres conhecidas,
Apostaram na sua beleza,
Vejam lá o que foi suas vidas,
Denegriram sua nobreza!
. AMIZADE É: Um conselho é ...