PALAVRA MÁGICA: AMO-TE:..
(À DOLORES, sempre: amo-te…!)
Amo-te!...Te amo!...palavras com tal efeito,
Capaz de reviver um morto no seu drama,
Amo-te! Te amo, som fascinante, perfeito,
P’la boca da mulher amada que a gente ama!
Amo-te! Oh! Amo-te tanto, tanto a meu jeito
Se um dia te levo terno nos braços prá cama,
“morro” de prazer, desconfio, que de satisfeito,
Possa morrer tragado p’lo fogo d’essa chama…
Amo-te! Tu amor, sabes isto quando atinge,
É pra ver distinto quem ama assim, não finge,
Em todo lado qu’esteja eu, grito, aclamo-te…
Bendita sejas entre as mulheres, ó meu amor,
Poderei estar, no segundo do estertor,
Minhas ultima palavra será:--Amo-te! Amo-te!
UM DESEJO DE POETA
Quero poetar bem, pra ser trovador,
Escolho papel brilhante capaz,
Soantes rimas, modo que loquaz
Possa fazer este soneto como cultor!
Porém nem toda rima me satisfaz
Gostava de lhe dar mais esplendor,
Bem procuro, mas não passo d’amador
Que a ser poeta fico léguas atrás!
Poeta pra ser poeta deve compor
Sobre tudo com esperteza sagaz,
Pra ter da critíca digno louvor…
Exemplo, nada tem de primaz,
Eu sei, há erros seja lá onde for,
Digam-me, como é que um poeta faz?
APOSTA GALANTE
Já lá vão muitos anos, quando a mocidade
Desabrochava com vigor p’r’aventura
Como uma vez na avenida da Liberdade...
Cuja “liberdade” com mulheres era...loucura!
Apostei, em pleno dia, beijar uma deidade
Que falava ali com outras ,com compostura!...
--“Ousas? Não ousas? A”malta” com certa maldade
queria ver onde chegava a minha..bravura!
Não quis ceder: fiz-me forte e...Fui à donzela,
Com as pernas a tremer e, com bastante cautela
Falei~lhe cortês, da minha”louca”proposta!...
Sim, eu dou-lhe um beijo: mas na condição
Tenho que salvaguardar minha reputação:
“—Eis o beijo! O estalo...Rindo,ganhei a aposta!
DOLORES A MINHA VIAGEM
DOLORES:
Sabes, meu bem, agora penso muito nisto!
O que será um de nós quando chegar a morte…?
Eu sou mais velho, vou levar esse norte,
Tu vais ficar, n’um mar de pranto nunca visto!
Não chores! Tu que sempre foste mulher forte,
Pensa fui fazer uma viagem de imprevisto,
Mas na verdade, vou-t’esperar junto de Cristo,
Depois vamos pró vale dos amantes com sorte!
Deus, bondoso, dedica especiais agrados,
Aos que na terra foram bons e apaixonados,
Que nosso lugar celeste vai ter esses primores,
Pensa, vou “viajar”, a ordem divina é esta,
A chorar digo: viver contigo foi uma festa
Fomos dois grandes amores no DOIS AMORES
À COZINHA LUSITANA
.
AMIGOS;
Isto da cozinha é, bem um problema suspeito,
A ementa insere tudo com o devido nome,
Que conhecemos, pelas vezes que lá se come,
Pior é saber dar-lhe bem as voltas com jeito!
Exemplo: Arroz de pato, polvo com renome,
Se não for confeccionado com tudo direito,
Temos “imagem”; pagam-se bem pelo bem feito,
E, não se volta lá, pois ali jamais se consome!
Porque, guisados, ensopados e, nosso bons pasteis,
De tudo que somos galardoados como reis;
Existem, claro! Aonde? Será bom? Será mau?...
Quem gosta de comer bem, nunca olha ao preço,
Sai risonho, no escritório divulga o endereço…
A dizer: “Vai lá, almoças um gostoso bacalhau”!
(2)
Talvez pensem que sou Apicio ou Pantagruel,
Isto de restaurantes tem seus quês, muitas vezes;
Quero comer bem feito e, serem comigo corteses,
Não sou perito; raio, sou dono do meu “papel”!
No mundo não há como restaurantes portugueses,
Alguns, of’recem ementas que sabemos são: --Mel,
Cujas refeições nem é preciso que se revel’
Come-se bem, tornamo-nos amigos e fregueses!
Isto falo por mim. Nós lusos, somos todos iguais,
Corro seca e Meca pelos restaurantes rurais…
Luxo? Nome? Não me revelam nada, rotundo…
Se tenho em casa cozinheira boa de primeira,
Sei, avalio, onde se come bem, à maneira,
Porque a cozinha lusa é a melhor do mundo!
P.S.: Apicio e Pantagruel, lendárias
Personagens comilonas, mitológicas.
O ESTILO DO SONETO
Deu-lhe Bocage seu inconfundível estilo
A elevação pindárica, fecunda, e bela,
De Petrarca a classe e o romantismo de Florbela,
Não esquecendo Alorna e o imortal Camilo!
O soneto teve mestres com a história revela,
Casimiro d’Abreu! Bilac! Camões, deu-lhe aquilo
Pra o guindar ao auge pra que possamos segui-lo
Com todo transporte, valor na sua forma bela!
Todos famosos poetas cultivaram o soneto,
Todos o apuraram pra melhor no seu esqueleto,
Tão vasto! Tão rico como fizera Dante e Ariosto!...
D’Arcádia houve, Bulhão Pato! Tomás Ribeiro,
Fernandes Costa! Castilho e tantos do cancioneiro,
E, claro, Camões tão popular decorou a seu gosto!
O GOSTO PELOS SONETOS
Adoro compor sonetos, apesar da trama,
Requerer um vasto e facundo vocabulário,
Mas eu teimo enfrentar de caras o adversário,
Dá pra um culto pensamento que me inflama!
Gozo manusear aplicado um dicionário,
Vou colhendo, decorando termos de boa gama,
Assim as rimas devidas aparecem sem drama,
Que s’encaixam sonantes no ponto necessário!
Fazer sonetos é, forma poética que reclama
Paciência! Gosto e ser forte no glossário,
Nunca fugir aos temas do inicial programa,
Rematar sempre com um bom comentário,
Um bom soneto tem em si essa rara chama,
Que prende o poeta a desfolhar seu mostruário!
ADEUS MORAL…
Vai toda a sociedade derrapando,
Dia-a-dia pra caos imprevisível,
A volúpia, o impudor mais exacrando
Querem pôr bons e maus no mesmo nível!
Um grupo desfrutável e nefando
Dirige o povoléu de modo incrível
De vorazes urubus, tudo bando
Logra o pudor tornar coisa possível!
Vai perdendo a família o pedestal,
Onde outrora fulgiu esplendorosa
Ninguém quer ter preceito da moral…
Nem respeito às sagradas tradições
Negra mancha, qual chaga cancerosa,
Corroi os fundamentos das populações!
BELA SEM JUIZO
( Visão do banco do jardim..)
Esse misto d’amor impudico, leviano
Como t’apresentas a deambular n’avenida,
Provocando este e aquele assim vestida
Nem imaginas como é falso esse teu plano!
Tão formosa! Tão elegante; que linda vida
Podes granjear ditosa com qualquer fulano,
Mas preferes esse exibicionismo mundano,
É um engano tremendo, do qual sai f’rida!
Agora qu t’exibes aqui, brve vai ter lugar
Garantido, por aí n’um luxuoso lupanar,
Depois,--ouve bem—n’um alcoice sujo qualquer…
A vida é tua, certo ouve o que te digo,
Vais acabar, velha, n’um asilo sem um amigo,
É pena, bela mulher, que não sabe ser mulher!
AMOR QUATRO LETRAS
O amor é uma gotra celeste que a Providencia
Verteu no cálix da vida para lhe corrigir o amargor (?)
Amor! Quatro letras, tão simples, tão potentes,
Na vida de cada um de nós, tem com efeito;
Merece sempre sensata reflexão com jeito
De modo que se ponderem todos vertentes!
Amor é, um Deus popular, lindo, mas sujeito
A muitos porquês e com quês sempre pendentes
Porque seus malabarismos são surpreendentes,
É preciso tento quando chega real ao peito!
Irrompe sempre imprudente, impetuoso,
Aninha-se de tal maneira no meigo gozo
Que as quatro letras tornam-se sempre gigantes,
Com uma dimensão por vezes inconcebível,
Quando queremos voltar a trás é, impossível
D’orçiar que sem querer, eis que somos amantes!
. AMIZADE É: Um conselho é ...