VELHO POETA E A MULHER!
(1)
Em anos sou velho, mas em humor sou, galante,
Perante o belo sexo, há sempre galanteio,
Oportuno é meu dito, tem graça e floreio,
Do clássico romântico da escola distante!
Sou da era que via na mulher todo asseio,
Cujo traje a moldava deveras relevante,
Mais formosa, mais sensual, sem ser provocante,
Seu pudor natural, atraía em cheio!
Assim, conservo a escola que vivi outrora,
Por ver, ouvir; vejo que não se usa agora,
Na mulher! Amor! ! Amar, tem hoje outro cântico!
É pena ver a juventude n’outro programa,
Um deboche, gay’s! Lésbicas, um drama,
Que atrapalha alguém como eu, romântico!
(2)
A mulher dos anos cinquenta, era bem feminina,
Vestia bem, simples, com donaire a rigor,
Não confiava à primeira em qualquer amor,
Consultava os pais no rumo da sua sina!
Assim, valorizava seu porte com grande valor,
Até ao casamento era sempre pudica menina,
Qualquer alusão imoral à honra divina,
Era um estigma bem difícil de descompor!
Certo, os tempos são outros, mas há descalabro
Compreendo, vejo, mas ao romântico não abro
Portas ao conceito das boas, justas maneiras…!
Talvez digam; -- Este, julga o tempo volta pra trás…
Pouco m’importa, sinto, um poeta, todo s’apraz,
Defender o halo da mulher de suas asneiras!
MILAGRE DE S.ANTÓNIO
A trova do teu manjerico,
Que te dei com pensamento,
Pensava logo no bailarico,
Me pedisses em casamento!
O perfume que continha,
Tinha tanta, tanta magia,
N’essa noite foste minha,
Até ao romper do dia!
“Foi uma noite do demónio”,
Que julguei nunca ia ter;
É sempre bom ir à festa,
É na festa que há prazer!
Tudo começou bem, normal,
Quando me vi em teus braços,
Que me senti sensual,
Que foram longe nossos passos!
Dançamos a noite toda,
Com tanta vontade até,
Que marcamos a nossa boda,
Em poucos meses na Sé!
Calculo que foi milagre,
Do António o meu santo,
Qu’espero, que mais consagre,
O menino que quero tanto!
Valeu a pena ter paciência,
Na noite de Doze de Junho,
Pra encher minha existência,
Com tão lindo testemunho!
Hoje acredito em santos,
(Aliás nunca fui incréu…)
Sempre houve entre tantos,
Um que me guindasse ao céu!
Assim, encontrei meu eu,
Que andava mesmo tristonho,
Deste venturoso himeneu,
Eis o nosso filho, nosso sonho!
A S. António agradeço,
Este feliz património,
Um filho, certo, mereço,
Pois o pai também é, António!
O manjerico e a trova,
Talvez fosse passaporte,
Se S. António aprova,
Minha vida vai ter norte!
AJUDA DE ABUTRES
Caros cidadãos:
Ao que chegamos: TROIKA, FMI; FMI, TROIKA,
Que vieram cínicos, com uns milhões a mais,
Pr’ajudar, mas os juros são, mesmo de chacais,
Que vão”comer” esta nação que foi tão heróica!
Empresta sim com juros deveras abismais,
É ajuda ignóbil! Impiedosa! Paranóica!
Não pode aguentar por muito que seja estóica,
Os actores deste buraco deviam ir aos tribunais!
Esta ajuda mostra o que é Europa é infame,
Onde amizade, união nada tem que a aclame,
Co’os parceiros deviam ser mais convenientes!
Estamos nas mãos desta TROIKA artificial,
Que o escudo já s’avista neste pantanal,
Com consequências catastróficas, ó gentes!
QUADRA GLOSADA 43
Mote
Amei dois olhos de prata,
Eu morri d’essa paixão
Porque o destino só mata,
Quando mata o coração!
(Quadra autor anónimo)
GLOSA.
Fui eu que não tive noções,
De ver como a vida é ingrata,
Bem jovem, cheio d’ilusões,
Amei dois olhos de prata!
Tão bela, tão cheia de perfume,
Devia pensar na confusão,
Eu a amava, tinha ciúme,
Eu morri d’essa paixão!
O amor chega com alegrias,
Pra qualquer pessoa sensata,
Não crer em tais profecias,
Porque o destino só mata!
Ciente! Ó quanto é vero,
Aqui deixo esta afirmação,
O amor grande e sincero,
Quando mata os coração!
Ó PAÍS INFELIZ!!!!
Caros cidadãos:
Hoje nada resta do lusismo d'Aljubarrota,
Que Nuno Alvares Pereira mostrou aos espanhóis,
N’aquele dia memorável quem eram os heróis,
Com poucos homens sofreram aviltante derrota!
É bom recordar tudo isto séc’los depois,
Homens com fibra, o que hoje não se nota,
Neste lindo país, dizem quase em bancarrota,
Que se vê; ó lusitanos hoje nada constróis!
Vês teu épico Portugal n’um fosso, moribundo,
Causado por um poder político, falso imundo,
A votar nos mesmos que sabemos incompetentes!
Com tal politica não chegamos a lado nenhum,
Pelo rumo que vimos, espera-nos o cafarnaum,
Pois herói d’Aljubarrota não há sobreviventes
PORTUGAL ONDE CHEGASTE?????
Caros cidadãos:
Mais um rombo deste governo socialista,
Tem que deixar vender nossas grandes empresas,
TAP! GALP! REN, etc, etc, pr’ajudar às despesas,
Deste pobre país cujo leilão total s’avista!
Agora não são Filipes, vão vir outras “safardezas”,
Angola! Brasil (Quem diria?) mais estão na lista,
Vão comprar os Jerónimos, nada há que resista,
Portugal vai ser retalhado por outras riquezas!
Pelo que se vê (lê) deste ultrajante descontrolo,
Vão ver, caros cidadãos compram todo nosso solo,
Nossas praias! Algarve! Sintra, em seguimento!
Ah! As toneladas d’ouro deixadas pelo António,
Vão evaporar e, todo nosso rico património,
Melhor seria vender a essa gente o S. BENTO!
(2)
O descalabro aí está! Até dizem os entendidos,
Sem que outro 1 de Dezembro com vanglória,
Jamais nos erguemos de tal, que não há memória,
Este país – Uma vergonha? – Por “imberbes” partidos!
Isto é o pior borrão da nossa épica história,
As gerações futuras vão soletrar: BAN …DI.. DOS!
Prometeram vida melhor, foi só “alaridos”,
A lei devia ser cega pra esta escol d’escória!
Justiça?! Pois foi a falta de cega justiça,
Caiu no fosso, eivou-se totalmente omissa
Abandonou seu dever e poder detalhado!
Em Trinta e Sete anos um partido se destacou,
Vejam amigos atentos ao que o P.S. nos levou,
Até o notável nome Sócrates vai ser… vaiado!
OS LIVROS ESCOLARES
(Hoje duram um anos: NEGÓCIO
Puro NEGÓCIO,
Sem pensar nas consequências…)
Estimados cidadãos:
Não sou poeta, minha cultura é secundária
Colhida, nos livros então, chamados d’herança
Isto é todos os livros desde a escola primaria,
Serviram pra meus quatro irmãos com fiança!
Os livros duraram seis anos, não foi necessária
Mais despreza n’uma casa com sem abastança
Tais livros, co’a mesma matéria, assim tão vária,
Nós aprendemos – e bem – nesta aliança!
As lições eram, leitura! Ditados! História!
Desenho! Geografia! Ciência, obrigatória
Estudar a sério sem essas cruzes: NÃO E SIM!
Nesse tempo não havia esses “cegos” sumários,
Tudo na ponta da língua; sem dicionários,
Que aprendi matemática, sem a ver latim!
TER HUMOR ‘E TER VALOR!
Há gente que em a tristeza de mau humor;
Deve-se fazer diligência por tê-la amável,
Porque sempre se viu, ser simpático, sociável,
Entre vizinhos, em especial só tem valor!
Um dito anedótico é, apreciável,
Gracejar oportuno mostra ser bom condutor,
De palavra que conquista seu interlocutor,
Que causa sempre eco, muitas vezes notável!
Quando há confiança segura, logo se nota,
Pode, pedir licença pra contar a anedota
Picant,e que no fundo produz grande efeito!
Enfim, ser afável, é simples um gracejo,
Entre amigos, boas anedotas são festejo,
Ser humorista n’amizade é elo estreito!
AMOR DEUS LADINO!
O Cupido é aquele Deus popular venusto,
Que todo mundo procura com ou sem candeia,
Tão estranho que é, sem se ver desnorteia
Quando se vê ou sente é sempre robusto!
Parece Marte, Deus bélico, co’a bolsa cheia
De setas pra ferir este ou aquele no busto,
Quando atinge em cheio, prega susto,
Quase sempre os estragos não têm panaceia…
… Que não vem em nenhum léxico inserida,
Quando vem das suas setas é def’rida,
Atinge uma alma de caricias especiais…
Assim, este Deus de tão pequenas proporções,
É grandioso a a desperta por aí corações,
Que s’envolvem uns menos outros de mais!
SONETO SEM ASSUNTO…?????
(Dedicado a certa Senhora que me disse
Em tom frisante:-- “Ó Sr. Poeta a tudo compõe sonetos
É:Fatigante”… (Vocábulo d’ela…)
Não, minha Senhora, pra mim é, provocante…
Quando é visto, lido, por uma dama
Tão charmante…
Perante a beleza o “milagre” é, constante!
Fazer um soneto sem assunto relevante,
Pra quem chama poeta e, poeta não é,
Só esse desejo m’inspira. Talvez excitante,
Desperta minha Musa com bastante fé…!
…Pra lhe dizer em q’atorze versos, galante
Um desejo pela sua boca dá-me pé,
Pra não compor um soneto, mas confiante
Possa fazer epopeias ou algo mais até…!
Quem formula este desejo, tem sentimento
Quer algo mais que provar meu pobre talento,
Basta qu’rer poesia o desejo, logo tem jeito!
É um assunto sem assunto que lhe dedico,
Sua boca, corpo, tem muito mais que lh’explico
São um poema já feito antes de ser feito…
. AMIZADE É: Um conselho é ...