UM CONVITE DE AMOR
Minha Senhora ouça: O barco em que navego,
Desde que a vi, sua beleza, vai à deriva,
Sem leme! Sem farol, calculo que estou cego,
Por Deus, me salve desta rota negativa!
Sinto, que aportar assim, sincero não nego
Vai ser difícil a situação é, explosiva
Sem responder ao convite, vou cair n’um pego!
Que me pode salvar, vá, seja compreensiva!
Meu barco é pequeno, mas tem pra nós espaço,
Foi feito pra navegar triunfal sem fracasso,
Com ambos, o mar, o porto será um sorriso…
Basta que m’acompanhe e que lhe agrade,
juro, o nosso porto será pura realidade,
Com nosso amor, aportamos n’um paraíso!
SERENATA AO MEU AMOR.
No firmamento
Vagueia a lua
Como um lamento
Ouço a voz tua
N’uma balada,
Oh! Minha amada!
Canta o rouxinol
Anuncia o alvor,
Breve chega o sol
Contigo meu amor
Tudo luz, tudo brilha,
És tu a maravilha!
Que noite de gelo,
Sussurra o vento
Um pesadelo
Do meu pensamento,
Silêncio gigante,
Espera que cante!
Esta minha canção
Co’o melro canoro,
É a minha paixão,
Que diz: Eu t’adoro
Que nestes acordes,
De mim te recordes!
Entretanto no espaço,
Foge o róscio e o luar,
E meu amor o que faço,
Canto pra não chorar,
Contudo risonho,
Ouve isto que componho!
Que ouves vibrante,
Como é do rouxinol,
Que t’envia neste instante,
Um beijo cheio d’arrebol,
Assim madrugador,
É pra ti, meu amor!
O CONCEITO DO SONETO
Dizem que o soneto já não está em voga,
Que o tempo de Camões, Bocage passou há anos,
Isso hoje é verborreia que ninguém joga,
Eram seres tacanhos, acreditar em enganos!
Pouca gente faz sonetos, ou nisto s’afoga
Teimam chamar a esses poetas ignaros, insanos,
Eu sei, tal antipatia é, inflamar da droga,
Que afasta conhecer todos poetas lusitanos!
Com sonetos fabulosos, divinos, gongóricos,
Onde s’aprende tudo, com conceito alegóricos,
É como beber cultura, ler ou fazer sonetos…
É pena, que nas escolas não dêem estas lições,
Talvez se descobrissem outra vez outros Camões,
E não sexologia alimentar tantos lazaretos!
O AMOR…
(Este soneto foi composto após ler
O famoso soneto do autor
Francisco Cabral de Vasconcelos de 1870 ????
Com o pseudónimo de Abade Jacente)
Amor é, a chama, que louca nos chama,
É f’rida aberta, espécie de tumor;
É febre que o grau nos muda de cor;
É mal, que pouco a pouco nos inflama!
É fogo, que pra qualquer é um pavor;
É dor que funda magou-a com escama;
É ânsia que tantas vezes se torna drama:
É dúvida que s’agiganta em furor!
É sofrer, ou sofrer d’hora a hora,
É pensa sempre no mesmo que devora,
Que nos faz perder a cabeça, loucos…
Não sabe o que quer, onde vai, bobo,
Agita-se, irrita-se com mero arroubo,
Enfim, o amor é, que morre aos poucos!
VISITA AO TÚMULO DE CAMÕES
Camões, hoje tornei a visitar teu mausoléu,
Artística obra-prima da bela arquitectura…
Embora no tempo ninguém te tirou o chapéu,
O teu livro, Lusíadas, mostrou bem tua figura!
Passastes por tudo, inveja, pobreza, Labéu,
Expatriado, prisioneiro, por intriga segura,
Pela corte indigitado, condenado, réu,
Lá fostes prá Índia Goa! Macau em aventura!
Morreste pobre, com Job, ao lado, astro imortal,
Esse Lusíadas que, inda hoje é pra todos genial,
Quando viram sagraram-te com celsos sinónimos…
Eis o fim neste país d’um ilustre trovador,
Só depois séc’los passados viram teu valor,
Pra tapar a boca ao mundo estás no Jerónimos|
BELEZA FEMININA!
Essa mulher que aí vai, prende, rende, agrada
Todos em porfia a querem p’la formosura,
Seduz! Atrai p’la graça e compostura,
Dote feminino, meu Deus, como é prendada!
Seu rosto d’anjo, tem talvez essa loucura,
Seus olhos azuis, grandes, iluminam toda calçada,
Que todos julgam ser uma deusa ou fada,
Que provoca desejo, cobiça e… sem faltar nada!
Sabe ser discreta, com sua beleza e graça,
É mulher de pudor aos piropos faz negaça,
Porta-se bem, não cora com cortejos obscenos…!
Perplexo, procuro vê-la assim Afrodite,
É possível qualquer dia apanhe pericardite…
-- Gostava mais que de beleza tivesse menos!
EIS O MUNDO DE HOJE
Hoje o mundo é todo cheio de misérias,
Qualquer ponta de caridade há sempre ágio,
Se por acaso não se mostre conte co’o contágio,
Pois vem, de certeza, por outras artérias!
Todo amor que se procura, tem outro sufrágio,
Já não tem, ou pouco tem das coisas sérias;
Mulheres apresentam-se boas, são galdérias:
Homens com muita verborreia, são naufrágio!
As intenções, são cobertas de aleivosias,
Mero interesse, simplesmente demagogias,
Que não se sabe onde há sincera honradez…!
O mundo! Ó o mundo, por mais que o percorra,
Por todo lado vê-se em Sodoma e Gomorra,
Amor e amizade fiéis têm pouca nitidez!
O TEMPO SEM ATEMPO!
O tempo é o único bem totalmente irrecuperável.
Recupera-se uma posição, um exército e até um país,
Mas o tempo perdido, jamais.
(Napoleão Bonaparte)
Os homens falam em matar o tempo,
Enquanto o tempo silenciosamente os mata.
(Dion Boucicault)
A maior parte do nosso tempo
Passa-se a passar o tempo!
(Popular)
Não dei por resvalar o tempo na minha vida,
Pensando recuperar todo tempo mais além,
O tempo, não me deu tempo nenhum na corrida,
O tempo não perde tempo com um zé-ninguém!
Com tempo, perdi tanto tempo da sua partida,
Que o tempo, valeu-se de ter o tempo que tem,
Pra gozar com tempo o tempo da minha lida,
A função do tempo, no tempo faz todo desdém!
O tempo voa p’la vida fora alheio, com tempo
Sem se importar com tem tenha contratempo,
O melhor é não ligar a esse tempo tão veloz…
Fazer que este tempo seja bom passatempo,
Não há tempo sem vida, nem vida sem tempo,
É o tempo com tempo que dirige todos nós!
A INTELECTUALIDAE DE CAMÕES.
(VOLTAIRE chamou a Camões: O Virgílio português)
Ler e perceber Camões, não é pra qualquer “pancrácio”,
Com deuses! Ninfas! Lendas, um tanto insano,
Ele leu muito Ovidio! Xenofonte! Lucano!
Ptolomeu! Plínio o velho! Esttrabão e Horácio!
Estava a par do classicismo moderno italiano,
Influenciado por pensamentos do povo Lácio…
Petrarca! Aristo! Tasso! Sannazano e Boccaccio,
Isto não é lenda, está escrito, foi seu plano!
Intelectual, aproveitou todas literaturas,
No tempo, só foi visto em galantes aventuras,
Na côrte! Mulheres nobres! Enredos d’amor…
Por intrigas foi pr’Africa, saiu vencedor,
N’um naufrágio salvou seu Lusíadas com valor,
Regressou morreu pobre sem um bom cobertor!
UM NOME SAUDADE!
(A alguém com nome SAUDADE
Que passou pela minha vida…)
Saudade, talvez nome triste,
Foi assim que nos encontramos,
Entre nós, meu bem consiste,
Sempre co’a saudade moramos!
Saudade traduz amor…
E amor não é um nome vão,..
Saudade é sorriso, é dor
Que nasce no coração1
Saudade é sonho, é visão
Que nos enche o pensamento;
Saudade é, fascinação
Que nos leva ao desalento!
Com quem se ama, quando parte,
Com saudade vai se a vida;
Sem vida pois, por amar-te,
Hoje me sinto, querida!
Se for moléstia a saudade
Muito não hei-de viver,
Que em tua ausência, deidade,
De saudade vou morrer!
Torturar-me, qual espinho,
Saudade sinto no peito;
De ti distante e sozinho
Fico em saudade desfeito!
Se eu pudesse esse teu nome
De saudade libertar…
Que a saudade é que consome
O coração por amar.
Porque puseste, querida,
Teu nome n’uma saudade?
Se d’ela eu o tirasse, a vida
Era só felicidade.
Lembrá-lo traz-me saudade,
Que em saudade ele nasceu;
Tirá-lo d’ali, quem há-de,
Se a saudade o tem por seu?
Suprema resolução,
Fora a saudade matar;
Mas com ela o coração
O nome sew vai apagar.
Morra embora a amizade
Teu nome quero comigo;
Traz com ele a saudade
Já que ela vive comigo!
. AMIZADE É: Um conselho é ...