OUSADIA COM PRÈMIO…
(Recordação autêntica…)
Tudo que pedia aquela mulher, dizia SIM…
Que corajoso, não recuei à grande tentação,
De chofre, trémulo, sem mais brejeiro latim,
Disse:--“Posso dar-lhe um beijo ardo em paixão?
Aflito, já contava co’a achega ou chinfrim,
A conversa estava amorosa, era ocasião
Porque não tentar enfrentar tudo até ao fim,
Dizem:-- A mulher, aos “piratas” até lhe dá a mão!
-- Entre nós, passou-se uns segundos medonhos,
Aquela mulher ali, a mulher de meus sonhos,
Olhou-me com espanto:-- Meu Deus que denguice…
Fiquei petrificado, co’a possível sentença,
Mas não. Ouvi d’aquela boquinha a recompensa:
-- Venha lá o beijo…Ali, nos beijamos com doidice…!
DERRIÇO COM FEITIÇO
Não devo amá-la… Mas nela há feitiço;
Quero tirá-la dos sentidos, mas não a esqueço,
Sonho com ela em tudo com ela apareço,
Que fracamente nem, comigo dou por isso…
Uma nuvem que, d’amargura dia a dia teço
Desejos de sair deste estranho derriço,
Que não pressinto que tenha breve sumiço,
Ela nem dá, nem vê, nem acolhe, meu apreço!
Quando fecho os olhos, eu a vejo, bela, bela,
Como bela ninfa a sair do mar em procela,
Que m’encanta, agita, que puxa pró… Abismo…
… D’um velho amor impossível, que me segreda
Qu’estou louco por ela, em eminente queda,
Que não m’atrevo dizer: amo-te, em ti cismo!
O FADO PORTUGÊS
Em tom dolente, mavioso, doce e lento
Em filigrana de ternura sempre magou-a
O nosso fado é dos velhos bairros de Lisboa,
Que nos exalta de saudade e sentimento!
Canção muito portuguesa, que tão bem soa,
Agitando em nós ilusões com argumento,
De tempos áureos quando foi seu nascimento
Na voz de Severa o fado tinha sublime c’roa!
É tão pomposo o fado desse tempo lindo,
Com saudades a gente o fica, absortos ouvindo,
N’alma soluçando…espiritual e profundo!...
Eu o sinto sempre castiço, fidalgo, actual,
É a canção máxima cá do nosso Portugal,
O fado assim não tem noiva em todo mundo!
AMOR? SÓ O PORTUGUÊS…
Amor pode ser diferente na palavra no mundo,
Mas o preceder é, e será, eterno, igual e fecundo.
(Nelson F. Carvalho)
Quando se aprender amar o mundo
Passa a ser seu
Renato Russo
Amour! Love! Liubliu! Aijou! Philia! Liebe!
Cada país lhe dá um nome, sim senhor;
Mas, ouçam, não há como o nosso AMOR,
Que beleza, dito ao ouvido, tudo exibe!
Amor! Meu amor, penetra no int’rior,
Com paixão, fogo, que um morto revive,
Amor é, a mais linda palavra que já tive,
É dita p’la Dolores dia a dia com ardor!
O amor, quando se sente ultrapassa o além;
Ó meu amor sou tua e de mais ninguém,
Derrete qualquer coração se houver chama…
Por isso digo aqui com toda a certeza,
Amor, é, a mais linda palavra portuguesa,
Que soa melhor quando ambos vão prá cama!
UM VELHO POETA
(Auto-critica)
Já muitos, muitos anos de vida conto,
E, nesta espinhosa estrada percorro,
Cada dia que passa julgo que morro;
Cada dia, o poeta se vê mais tonto!
Cá vou pedindo às musas socorro,
É uma ideia fixa algo capaz, afronto
Mas a velhice diz-me ponto por ponto,
Que o poeta é, pra quem tem aforro…
Aforro, de cultura de bom intelecto,
Eu, com esta idade não posso ser selecto;
Eu com esta idade já não m’educo,
Versejo ao meu gosto, entretimento,
Porque sei, é, fraquíssimo meu talento,
Quem é que lê um poeta assim, caduco?
INCONSOLÁVEL
A saúde é uma pedra preciosa, da qual,
Só depois de perdida conhecemos o seu valor. (?)
A velhice é uma doença extraordinária
Trata-se para fazer durar. (?)
Sãos os doentes, e não os sãos,
Que conhecem a sua saúde. (?)
Eu sinto que não sou, não, o que era outrora,
Quando deitava os olhos p’la vida além,
Louco fantasiava; a mim ninguém detém,
Com o amor da DOLORES a vida será aurora!
Assim foi, mas a velhice chegou, travou bem
Agravou co’a doença eu, meu Deus, agora
Tudo s’enverteu, sou, estou, fraco que porá
A situação, cujo pessimismo penar vem!
Todas as horas me vejo em forte debilidade,
Sem forças pra reagir, ver longe a mocidade,
A gemer por todos cantos de saudade e dores!
De ver o que eu era, hoje, feito miuçalhas,
Nas garras da doença, velhice de cangalhas,
Preso de tudo, só co’a ajuda da DOLORES
PEDIDO POÉTICO
(Alguém que me pediu um soneto…)
Pede, Senhora Minha, que vos mandasse
Uns versinhos meus, que diz que faço,
Um soneto é prós poetas embaraço,
Que posso eu, Senhora, não tenho classe!
Treta seria se por acaso abraçasse
Com rapidez este dedicado passo,
A tanta gentileza tenho este espaço,
Seria um bobo se em silêncio ficasse!
É por isso, que vos escrevo agora,
E, peço perdão se tanto ouso, Senhora
Mas aqui vai o soneto com mimos sãos…
Não devo desolar o que pensa de mim,
Como poeta, sou tão ruim, tão ruim,
Veja só o intuito, pra lhe beijar as mãos!
AMOR MODERNO AMOR ANTIGO
Como todos, amei com sucesso e, desfeita,
Com mulheres formosas de todas as classes,
Amores? Ó fixes amores, outros fugaces,
Que descritas davam uma novela bemfeita!
Outrora as relações d’amor tinham outras faces,
Que hoje ninguém tolera isto, nem aceita,
Por isso há tanto caos, tanta casa “suspeita”
Há enlaces sem rumo que são breves desenlaces!
Certo, são eras dif’rentes com mais atenuantes,
Hoje não se casam; a maioria são amantes,
Numa situação que acho, falta de decoro…
Que resulta, que há por aí cada consórcio,
Como se vê e sabe acabam em sujo divórcio,
E sabem por quê? Há logo sexo e não há namoro!
NA ULTIMA HORA
( DOLORES, meu ultimo desejo…)
Quando eu morrer — Ó não qu’ria falar d’isto
Quero, meu amor, que atendas este desejo,
Morrer nos teus braços, com teu ultimo beijo,
Pra partir feliz, tranquilo, pra junto de Cristo!
Não me largues nesta triste hora que me vejo,
Tenho pena de quebrar o nosso amante oaristo,
Nesta casa, neste quarto, tão quisto, tão quisto,
Mas chegou minha hora, meu extremo lampejo!
Chegou o momento pra te dizer um segredo,
Fui tão feliz a teu lado que nunca a morte
Passava ao meu lado, que não vinha tão cedo…
Ó meu bem, beija-me, beija-me, eu parto
Mas lá no Olimpo vou pedir um passaporte
Pra te visitar à noite aqui no nosso quarto!
A MULHER E O CORAÇÃO
Não posso compreender esta questão,
Por que Deus fazer o mudo e a natureza,
Fez um dia a mulher com tal beleza,
E não a concluiu com igual perfeição!
Que o homem perante tanta sedução
Da mulher com ternura e gentileza,
Perdeu a cabeça co’a sua boniteza,
Mas esqueceu-se do enigma, coração!
Assim, corri meu mundo de lés-a-lés,
Prestei à mulher madrigais e tagatés,
Que merece em tudo de bom e bem …
Contudo, se Deus fez tudo perfeito,
Estranhei ver n a mulher este defeito,
Seu coração não se iguala ao de mãe!
. AMIZADE É: Um conselho é ...