Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010
O FIM DE TODOS NÒS
Isto é real, todos sabem disto muito bem,
Há exemplos, mas é tarde pra retrocesso,
Tem que se sujeitar a curar seu “abcesso”
A vida que não viu, ninguém vê, assim se mantém!
…A caminhar— sem tréguas— pró insucesso,
A velhice é o fantasma que surge além,
Porque lhe vai dar problemas, que o faz refém,
A usar bengalas ou muletas pra ter acesso!
Breve, começa a pensar em “coisas” mais sombrias,
Melhor é, “partir”, a ver-se com tantas arrelias,
É um empecilho e, grande, na sua irmandade!...
…Que perante o problema, acaba por o “matar”
Nem que não queira, tem por fim ir pra um lar,
Ou seja, amigos sala d’espera pra eternidade
SOMOS TODOS ASSIM
Ninguém de nós avalia com tempo a juventude,
Só quando passa é que dá um pouco balanço,
Tudo corre mais ou menos, um recuo, um avanço,
Algo mais grave, há sempre alguém que ajude!
Pior é, que a vida passa, e não dá não, descanso,
Então começam aparecer os casos de saúde,
Coluna! Pernas! Cabeça, aquilo fatal, rude,
Que nos faz praguejar: Raio! com tudo me canso!
Passa seu tempo no sofá a bradar como fera,
A recordar os dias lindas da sua primavera,
Ou algo mais, que não aproveitou consciente!
Aos poucos, sujeita-se ao bom ou mau que vê,
Amores! Mulheres! Nem comida, só a T.V.
Vive, está “morto”, com mil problemas à frente!
Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010
POUCO MAIS HÁ A FAZER….
Eu já diviso além o termo da viagem
E nem pra chegar depressa atraso o passo…
Caron que passe ao largo à outra margem
E Atropos que demore o seu fatal abraço!...
Pra quê?..Velho e sem jeito…Ao cair na voragem
O átomo vil de pó que adeja pelo espaço
Vai ser útil à planta: é o húmus da adubagem…
Também a alguém ampara meu cansado braço.
Por quanto tempo ainda? O triste, o desgraçado
Que à curva descente há muito já chegou
No caminho da vida, ao lembrar o passado…
O tempo em que viveu, amou, sofreu, sonhou,
Prestes a chegar ao fim, triste e desencantado,
Diz adeus! Flébil, ao bem que atrás deixou!...
PERENE LEMBRANÇA
(À DOLORES)
Lembras Amor, quando casamos, nossos projectos
Eram só sonhos, simplesmente periclitantes,
Sob luta mísera não tínhamos “Trocos”bastantes
Dava pouco mais p’r’alimentar nossos afectos?!
Que se mantiveram assim, seguros e amantes
Vivíamos com problemas co’os actuais aspectos,
Até que um dia, a sorte nos deu fins dilectos,
Íamos ser n'Alemanha novatos emigrantes!
Então era a solução pra nós, séria, mas babel,
Dois incultos ainda quase em lua-de-mel,
Era um salto com (des)conhecidos factores!...
Recordas Amor? Tu foste o fulcro d’aventura
Assim foram,Vinte e Cinco Anos de vida dura,
Graças a ti e, mais erigimos o DOIS AMORES!
Sábado, 23 de Janeiro de 2010
AQUELE AMOR--PERFEITO
(Caso autêntico)
Nas folhas velhinhas d’um livreco antigo,
Encontrei, seco, mirrado um amor-perfeito,
Que me veio recordar um juramento feito
A certa jovem bem formosa que andou comigo!
Recordo; foi um dia, nos meus verdes anos,
N’um encontro casual no Jardim Botânico,
Que n’um olhar nasceu um amor “vulcânico”,
Que selamos com aquela flor nossos planos!
Paixão que durou uns anos escaldantes,
Mas nossas vidas eram de insontes estudantes,
Que nos separou... (Houve outra cumplicidade…)
Peguei, n’aquele amor-perfeito que saiu torto,
Que no momento fiquei em pranto, morto
De saudade do perfeito amor n’essa idade
Sábado, 16 de Janeiro de 2010
TRISTE PRIMEIRO AMOR
(Facto autêntico)
Nossa Lisboa de lés-a-lés é cheia d’encantos,
Nos bairros antigos ou bairros dignos, chiques,
Que conheci pelo trabalho todos seus cantos,
Como a nobre Alameda D. Afonso Henriques!
Que lembro, ali n’altiva Fonte Luminosa,
Foi palco a sério, do meu primeiro amor,
Com tudo ardente, d’uma paixão cor-de-rosa,
Se alguém foi feliz em amor, fui eu, sim Senhor!
Mas o destino— Sempre ele— neste caso não foi
Aquela Fonte foi fonte escura d’enganos,
Que fui tragicamente e infeliz, herói!...
O grande amor nos meus Vinte e Cinco Anos,
Foi a pior, fonte de pranto que recordar dói,
Que afundou minha vida n’um caos de danos!
Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010
UM "DOIDO" COM JUIZO…
(Soneto satírico)
Cinco sentidos que temos
De todos bem precisamos,
E todos cinco perdemos,
Quando nos apaixonamos!
(Quadra popular Autor (?)
“Doido” d’amor, “doido” de certas loucuras,
Quis uma noite beijar minha Dulcineia,
Ela viu o p’rigo d’aquela ideia
Recusou e disse: Não a tais ternuras!
Mas um “doido”, tem luzes, volta e meia,
Teima, teima, -- enfim são diabruras,
Consegui furar e chegar ou alturas
Dos seus fins com sua doida veia!
Foi tão boa e fecunda aquela doidice,
Que tudo se voltou como era de supor,
Ela passou a ser a doida da meiguice….
Gostou tanto dos meus ternos tratos,
Que de tão doida varrida d’amor,
Tive que a internar no Júlio de Matos!
POETAS NÃO ESQUEÇAM…
Rogo a todos poetas que amam o lirismo,
Não deixem morrer a romântica Camena,
Leiam, Alorna, Florbela, Dias, que vale a pena.
Isto é, ressuscitar o clássico romantismo!
Talento não falta pr’aí com alma plena,
De poesia que honre digna o feminismo,
Amor passado ou presente tem simbolismo,
O estro desperta, recorda, esta ou aquela cena!
Primeiro Amor! Primeiro beijo é ideia
Pra um bom soneto a preitear sua Dulcineia,
A revelar-lhe seu amor em versos galantes!...
Uma paixão ou amorosa dor, merece registo,
Mesmo qualquer bardo tem, (Teve) um oaristo,
Que jamais esquece quando foram amantes!
O TEMPO É UM MONSTRO…
Vai-se tudo co’o tempo até chegar a hora,
Que fugir todos nossos sonhos, nosso desejos,
A idade pouco e pouco leva tudo em lampejos,
Deixa pra empreender rumar p’la estada fora!...
Aquela estrada que tinha sempre festejos,
Tem, saudades, lembranças, que o peito chora,
De querer e não poder, nem pensar que demora,
A idade, o tempo, evita só deixa sobejos!
Que nos deixa em clima sombrio de pranto,
Todos os dias são cobertos de frio manto,
Que pesam, ferem como nunca se sentiu…
De tudo que a mocidade nos deu de brinde,
Agora só esperamos que tudo breve, finde,
Porque esse tempo lindo pra sempre fugiu!
PRIMEIRO AMOR PRIMEIRA DESILUSÃO
Quando despertou em mim a fase amorosa…
Eramos n’alameda o casal das atenções,
A passear ali pertinho da Fonte Luminosa,
Tudo parava pra admirar pra dois “vulcões”…
…A expandir amor, aquele amor cor-de-rosa,
Que toda gente gosta de ver a causar emoções…
“Que lindo para””… Dizia aquela gente curiosa,
Éramos a sensação na Fonte…da paixões!......
………………………………………………
Passou-se assim dois anos(?) de real paraíso,
Até que um dia ela veio com triste sorriso,
A chorar: Estou doente com doença mortal!
Imaginem, esta inacreditável condenação,
Passados meses lá foi pra o Alto do João,
E eu fiquei doente, louco mental e moral!