Domingo, 15 de Novembro de 2009
QUADRA GLOSADA
(Mote)
A ventura não tem preço,
É a exp’riência que me diz,
Quem compra a felicidade,
É quase sempre infeliz!
(Autor: Luís Octávio Bras.)
(Glosa)
Os amantes que não s’aborreçam,
Muito cuidado co’o coração,
É bom que todos conheçam,
A ventura não tem preço!
È sempre por uns lindos olhos,
Um homem perde-se é, aprendiz,
Encontra em tudo abrolhos,
É a exp’riência que me diz!
Que o homem não prometa tudo,
À mulher simples sem vaidade,
Não é não pra qualquer sortudo,
Quem compra a feliciadade!
Observe, posso garantir,
Isto é conselho de bom juiz,
Se prometer e não cumprir,
É quase sempre infeliz!
Sábado, 14 de Novembro de 2009
VISITA AO PENEDO DA SAUDADE
Coimbra
Inteiramente da minha mocidade,
Quando te canto a voz ainda entristece
Quando te visito a mocidade é minha!
(Carlos Couceiro)
(Uma velha quadra)
No Penedo da Saudade,
As que foram não se calam,
No Penedo da Saudade,
Pedras choram, pedras falam!
(Autor: ????)
EM COIMBRA HÁ DUAS COISAS
QUE EU AMO MUITO EM SEGREDO,
É O PENEDO DA SAUDE,
E A SAUDADE DO...PENEDO!
Meu olhar fica preso entre ruas estreitas,
A ler lápides de poetas, velhos estudantes,
Que por aqui passaram, que foram importantes,
Na vida social, aqui deixaram frases feitas!
Quadras famosas, lindas, algumas delirantes,
No “Retiro dos Poetas”, exaltam ali Camena,
Cesário! Simões Dias e, mais bardos d’alma plena,
D’amor! Saudade de tempos lindos distantes!
Mais além, n’um o recanto a “Sala dos Cursos”
Por onde passaram poetas, régios “ursos”
Que seu nome está ali escrito a letra de ouro!...
Caso visitem Coimbra, visitem o Penedo
Quem por aqui passou deixou um segredo,
De noites d’amor neste eterno Miradouro!
O TEMPO D’AMÀLIA.
No tempo que AMALIA cantava Lisboa Antiga,
Era poucas ou nenhumas as preocupações minhas,
Que eram passadas em bares, bordeis e tasquinhas,
Com mulheres, copos, diversões, a eterna liga!
Recordo o Máxime onde s’exibiam as rainhas
Artistas, belas, que fugir no há quem consiga,
Ali no Parque, Mayer, onde tudo mais obriga,
Ao som do castiço fadinho da Mariquinhas!
Era o auge d’Amália, do Bairro Alto, Alfama,
Em cada viela o povo trauteava em chama,
Seus fados eram o furor em todas ocasiões…
Lembro que vagueava todos bairros à procura,
Onde actuava, AMÁLIA, essa saudosa loucura,
Que ‘inda hoje vive nos nossos corações
NARRATIVAS DO VELHINHO!
Vejam além aquele velhinho no jardim
Como está rodeado de jovens atentos?...
Às narrativas épicas de remotos eventos
De piratas famosos dos mares de Bombaim!
Paciente, conta a seu jeito lendas aos centos,
Que a pequenada ouve em êxtase até ao fim...
--“Avô! Avô! Conte aquela do espadachim
Que desbaratou piratas com três regimentos” ? ...
Era assim todos os dias naquele banco,
Aquele velhinho gentil de cabelo branco,
Contava lendas com paciência contumaz...
Mas um dia perscrutei o velhinho de trespasse,
Vi, pasmado, as lágrimas rolando-lhe pela face,
A contar casos d’amor de seu tempo de rapaz!
SEMPRE O TEMPO
(Na vida cada porção de felicidade é
Adquirida à força de um grande esforço.)
( Michel Corday)
Tempo! — Material que é feita vida feita,
Que todos nós desperdiçamos, insensatos,
Sem pensar que perder tempo é o pior dos actos,
Que se fazem e, ninguém em tal espreita!
Co’o tempo e amor perdemos nossos olfactos,
Co’o tempo dizemos, amanhã se faz é a receita!...
Co’o amor! Se exagera, nem toda mulher aceita,
E, pior é, se junto da mulher somos novatos!...
O tempo é ouro— alguém disse, com justiça,
Porque a vida passa, vem aí a era outoniça,
Depois queremos e não podemos, é sabido!...
A vida é uma etapa que o tempo regula,
Que se deve aproveitar o melhor, sem fula-fula,
Faz do tempo, meu amigo, teu conhecido!
O AMOR CRESCEU ASSIM!
( Com o mesmo amor à DOLORES)
Fiz do nosso amor aquilo que sempre disse,
Tu serás a última mulher do meu viver;
Hoje, passado tantos, tantos anos podes ver,
Ou melhor, comprova que não foi patetice!
Porquê? Porque ambos conjugamos com prazer
Um amor onde sempre houve a certa meiguice,
Que nesta aventura nos levou à velhice,
Que junto de Deus o mesmo vai acontecer!
Foi sorte??...Não, Foi, pôr de parte a modernice,
O amor conjugal só tem este rumo: compreender
Que nós não somos dois, somos um sem…imundice!
Assim foi o amor, cresceu entre amor a bom crescer,
Foi isto que fiz do nosso amor uma lambarice,
Que minha querida, hoje, continuamos a comer!
O PRIMEIRO PASSEIO A SINTRA
(À DOLORES recordando!)
Adoro-te! Não sei desde que dia ou momento,
Desde sempre! Talvez desde o passeio À PENA,
Que ambos, passeamos por Sintra sempre plena,
De recantos pra o amor, esse acontecimento!
Abril, primavera, a serra toda era amena,
Sombras! Grutas! Flores a, convidar ao curtimento,
De beijos e carícias que planeamos casamento,
N’uma inesquecível e amorosa tarde serena!
Nesse passeio o AMO-TE, AMO-TE prevaleceu,
Que desde esse dia só falamos do himeneu,
Que se realizou modesto em nove de Setembro!
Aquele adoro-te e Sintra ficou entre nós,
Como, meu amor, sempre a repetitiva voz
Que quando te digo: Adoro-te eu tudo lembro!
AMOR? UMA DAS LENDAS!
Diz talvez a velha lenda,
Pra que o mortal entenda,
O AMOR é filho de Vénus,
Balelas! São mitos somenos,
Sobre esta vetusta discussão,
Consultei, Sólon! Séneca! Plutão,
E, conclui, amigos, que afinal,
Que quem escreveu ou disse…
Hoje o amor é um festival,
D’uma tremenda patetice!
Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009
A VIVENDA "DOIS AMORES"…
(…Foi obra de dois lutadores!)
DOIS AMORES! Vivenda sem igual, assim
Aliás, como foi, feita ninguém imagina,
Dois “loucos” operários, num sonho sem fim
Ter uma casa fantástica como gente fina!
Vinte e cinco anos de luta com frenesim,
N’um clima hostil, germano, dos tais que domina,
Foi duro, ó que duro, casa linda com jardim
Com flores, cão e gato era a nossa sina!
Era o nosso sonho! Emigrantes era o fim...
A Dolores? Bem a Dolores foi a heroína,
Inabalável! Forte, nunca vi mulher assim!...
Depois da casa comprada a vida inclina,
Dobrou mais o esforço, ao qual dissemos sim,
E a casa teve de DOIS AMORES força divina!
EU TE AMO! TU ME AMAS
(À Dolores no momento dos nossas amores)
Sucede que o amor do casamento é de tal forma que não admite meias-tintas: se existe é para sempre. Se aquilo que se entrega não é tudo, esse amor não tem a qualidade necessária para se tornar no fundamento de uma família. Não pode ser alicerce nem raiz. Não será fecundo. Dará frutos apodrecidos, como, infelizmente, temos verificado tantas vezes.
O amor não admite o cálculo. Não faz contas. O amor é louco.
(Paulo Geraldo)
Pra que queres que te diga a cada momento,
Se te amo ou não e a brincar beijos e, beijos,
Com entusiasmo tentas lograr todos ensejos,
Se tu és há mais de trinta anos meu sustento?...
Vejo que adoras que te abrace com festejos,
Carícias demoradas ou em movimento,
Que me faz muito feliz, tão tratamento,
Que me faz jovem, trocar estes desejos!
Quando assim acontece, louquinha te chamo,
Retribuo n’um festival, eu te amo! Eu te amo!...
Que em nosso redor faísca ardente chama…
Isto me faz estar preso ao raio da vida,
Neste, eu te amo, tu me amas, querida,
Até esqueço a velhice à noite na cama!