DILEMA
Á DOLORES
Queria fazer-te uns versos que dissessem bem
O que sinto quando de ti estou distante,
Nem que sejam poucas horas a situação tem
Um clima inusitado, deveras irritante!
Mas isto não consigo versejar, o tédio vem
Toldar de nuvens a alma e meu semblante,
Toda alegria s’evapora, não sou ninguém,
Sem ti, nada há que alegre que me levante!
Meu desejo é não ir, ficar feliz em teus braços,
Esquecer tudo, ou melhor, apagar seus traços,
Qualquer ausência é, tirar à vida prazer!
Neste querer e não querer é, pra mim um dilema,
Por isto, meu amor, te dedico este poema,
Pra que leias e me digas o que hei-de fazer!