TRISTE 31 DE DEZEMBRO.
(Morte de minha mãe)
Foi em Mil Novecentos e Setenta e Quatro,
No fim de Dezembro, digo certo, trinta e um,
Pra minha mãe o ultimo acto de teatro,
Da vida que pra ela foi um cafarnaum!
De luta! De sofrimento, que foi muito atro
Pobre mãe, pra ti a vida, não teve gozo nenhum,
Pra que teu filho egro de nada tivesse jejum
Foi horrível ter pisado tal anfiteatro!
Cujo palco teve como fundo dor, cenário
Até que o tumor acabou com teu calvário,
Sem que nada vistes da vida feliz de teu filho!
Deus assim quis, mas teria isto sido direito?...
Tu mãe, que sempre fostes um ser perfeito,
Graças à teu ensino hoje tenho bom trilho!