COIMBRA MEU MADRIGAL.
COIMBRA, nunca olvidei teu épico encanto,
Velhinha cidade cm tanta, tanta história,
Aquela Universidade é, pra todos glória,
No meu tempo te conheci de canto a canto!
No Penedo! Choupal! Mondego, cantei vitória,
Quando moço, aquela capa era do amor manto,
Inda hoje é lembrança d’um tempo"santo”,
Das serenatas que não me saem da memória!
Quinta das Lágrima! Quem te pode esquecer?
Os amores da Rainha Santa fazem estremecer,
Quando se anda n’aqueles jardins, algo se passa…
Que nos envolve n’um balsâmico romantismo,
Pelo passado, Coimbra é pra todos simbolismo,
Quem te visita um capítulo da história abraça!
O NOSSO NOVE DE SETEMBRO
A suprema felicidade da vida é ter
a convicção de que somos amados.
O bom casamento é um eterno noivado
Theodor Korner
O casamento é um edifício que deve
Ser reconstruído todos os dias.
André Maurois
Recordo sempre em tudo o nosso casamento,
N’aquele Setembro! Porquê pressa? Porquê alor,
Dois pobrezinhos que no bolso só tinham amor,
Mas, certo, a carência era o menos no momento!
Depois do SIM jurado; o almoço, humilde, sim senhor,
Abalamos, fugimos pró Algarve…como o vento,
A viagem no calhambeque. Foi divertimento,
Chegamos à pensão… pra nós era um primor!
Chegou o momento d’ouvir aquela voz:
Em uníssono gritamos:-- “Amor, enfim sós…”
O quarto encheu-se d’esplendor? Céu? Queluz…?
Tudo se transferiu pra’quela pensão modesta,
Bem cedinho o sol acordou-nos lindo em festa,
Que Albufeira foi ( ‘inda hoje é), praia feita de luz!
MEU GRITO DE AMOR
Á DOLORES
Ninguém vale nada enquanto não foi amado.
(Tennessee Williams)
O amor pode fazer um cão ladrar em versos.
(John Fletcher)
Ouçam ainda que eu falasse a língua dos anjos,
sem amor eu nada seria
(Renato Russo
Vou contar o meu amor, tal e qual o eco, que vais
Ensurdecer; que te vai levar logo à cama,
Neste soneto, vou-te mostrar como se ama,
Porque, pra ti todos meus versos são bons e leais!
Quando versejo pra ti a Musa toda s’inflama,
Nem que aprofunde, grite, tenho sempre mais
Frases e pensamentos md’amor ou madrigais,
Tu mereces, meu tesouro, toda luz desta chama!
Acredita, ninguém escreve assim sem sinais,
D’amor; se o coração não deixas ver esta flama,
Quando assim é, incendeia-se são legais…
Isto, meu amor, é um grito do meu programa,
Todos estes anos contigo foram, são actuais,
Tu me destes tudo, assim a f’licidade m’enxama!
ONTEM E HOJE
A história é testemunha do passado, luz da verdade,
vida da memória, mestra da vida,
anunciadora dos tempos antigos.
(Cícero)
Ó portugueses da era do Infante Henrique,
Que partiram de Sagres por esses mares fora,
Pra descobrir novos mundos, é (foi) essa penhora
Que chegaram á África! Asia! Brasil em despique!
Homens como Gama! Cabral, lá foram em boa hora
O mar desconhecido, no tempo era seu psique,
Com frágeis barcos, sempre com p’rigo a pique,
Homens sem medo, cujo valor hoje se comemora!
Eu recordo essa gente dos descobrimentos,
Que a história conta, bravura d’esses portentos,
Feitos, inacreditáveis, que descrever não cesso…
Hoje, não há essa raça, que nada contem,
Revoluções? Descobrimentos? Isso foi ontem
Desfilam n’avenida a gesticular sem sucesso!
TÃO RICOS E TÃO POBRES…
== Países africanos e asiáticos ==
Quando os ricos fazem a guerra, são sempre os pobres que morrem."
( Jean-Paul Sartre )
Como as coisas andam, a política nada mais é que corrupção."
(Jonathan Swift
A pobreza não nasce da diminuição dos haveres,
mas da multiplicação dos desejos." (Platão)
Porquê? Pra quê? Guerra entre esses pobres países…
( Pobres? Quando são ricos em petróleo e, ouro…)
Mas, poder, ambição do homem é mesmo agouro,
Que provoca guerras e já infinitas crises…!
Assim o povo tem fome, doenças… seu tesouro
Vai pra armas bélicas, são as directrizes,
Vivem em gettos, tendas…ó povos infelizes,
Sem direitos humanos, vivem em desdouro!
Tão ricos…! Tão pobres, em carência que aterra,
Pura miséria, há anos, em constante guerra,
Onde o poder corrompe, tem tudo à sua mercê….
Suas riquezas bem geridas com fins nobres
Dava pra serem todos ricos, nem tinham pobres,
Mas campeia fome, guerra, mas guerra por quê?
HONRAI A PÀTRIA…
(…Se ‘inda resta alguma migalha…!)
Miserável país aquele que não tem heróis.
Miserável país aquele que precisa de heróis.
(Bertolt Brecht )
Quem serve bem o seu país não
Precisa de antepassados.
(Voltaire
Poetas de Portugal..! Apareçam com arte
Cantai a Pátria o passado, heroísmo, a glória,
Há tanto qu’escrever sobre a nossa história,
Nosso patriotismo, não pode ficar de parte!
Avivem Aljubarrota! Contestável à nossa memória,
Guimarães! Ourique, quem desfraldou o estandarte,
Assim foi, Gama! Cabral, que nenhum fique aparte,
Bem merecem, epopeias cultas d’oratória!
Lusíadas! Bocage, já cantados milhões de vezes,
Mas, há sempre que dizer de tão nobres portugueses,
Como Coutinho! Sacadura esses forma sim, heróis…
Mais a lealdade d’Egas Moniz D. Afonso seu rei…
Santa Isabel co’o milagre das rosas pasmou a grei…
Lembrem, um dia poucos correram co’os espanhóis!
O ETERNO CARNAVAL!
A vida é um "carnaval”; Pena que de vez em "sempre"
Algumas máscaras caem...
Paula Liron
Tem gente que gosta tanto de carnaval
Que vive o ano inteiro de máscara
Tem Pessoas que não precisam do carnaval ,
Pois já vivem de fantasia o ano inteiro .
É Carnaval! O mundo todo vira-se ao avesso,
Com fantasias prenhes de tanta hipocrisia,
Muitos aproveitam momentos d’afrodisia,
Suspeita, bem oculta, com alguns que conheço!
É a maré do pobre trajar sua falsa fantasia,
Pr’adular o rei-Momo, sempre bobo, travesso,
Esquecem-se tristezas, a tudo dão arremesso,
Bebem com loucura, que não tem anestesia!
E afogam seus sentidos, e tudo mais, sem freio
No burlesco que a bobagem é o galanteio,
Como palhaços n’um abismo nauseabundo!
E gritam: -- Eis que chega o truão rei Momo,
Brincam, dançam sem pensar no ridículo tomo
Da mascarada d’um Carnaval com fim imundo!
CASIMIRO DE ABREU…
== 4 / 1 /1839 == Nova Friburgo == 18 / 10/ 1860 ==
(…O jovem poeta que inda mais poeta morreu…)
Para o génio a glória é imortal.
( Propércio
O génio, esse poder que deslumbra os olhos humanos,
Não é outra coisa senão a perseverança bem disfarçada."
( Johan Wolfgang Von Goethe )
O génio é uma revelação de Deus.
( Calderón de la Barca )
Oh! Luminoso trovador das “Primaveras”,
Que tão poucas primaveras foram teu fadário,
Aquele fatal bacilo calou tão canoro canário,
Que não chegou ter suas devidas veneras!
Oh! Alma romântica! Vulto tão literário,
Tanto podias dar à poesia, sem ser quimeras,
De bom que foste, Deus, não esteve com esperas,
Levou-te, pra ser seu poético “funcionário”…!
…Pra reger os canoros espaços celestes
Porque em tão pouca Primaveras tanto destes,
No Páramo iam ter no coro um real vulto…
Já lá vão mais de Cento e Cinquenta Anos,
Reges no etéreo eterno todos os Elmanos,
Eu recordo tuas Primaveras, aliás exulto!
(2)
Todas poesias de Casimiro d’Abreu,
São impregnadas de saudade e, melancolia,
Joverm, apanha o bacilo de Koch que o perdeu,
No tempo a medicina, neste vírus pouco fazia!
Quem lê seus poemas, sente, vive, o drama seu,
Linguagem simples, culta de quem sentia,
Com tal mal, espera o eterno sono de Morfeu,
Assim deixou a vida que foi toda elegia!
Seu espólio, foi teatro, poesia e romance,
Sua carreira podia ter imenso alcance,
Mas o que deixou é sem dúvida obra-prima…!
Quem gosta de poesia, lei já CASIMIRO,
Vão ver (ler) tudo que deste b ardo aqui refiro,
É (foi) um génio a dedilhar a boa rima!
A PONTE SALAZAR
Nesta nação há coisas que causam espanto,
Esta flagrante, que nem é preciso, aqui falar,
D’um dia pró outro a pomposa Ponte Salazar,
Mudou pra Vinte Cinco d’Abril, por encanto!
Nesse tempo essa gente só apoiaram, assinar,
Uma obra que deu aos outros trabalho e quebranto,
Que se tornou um quebra cabeças tanto, tanto,
Que pelo que se vê, vamos eternamente pagar!
De cinto tostões, paga-se cento e trinta escudos,
Obra que está paga e repaga com estes “miúdos”
Por quem nada fez por ela, só, o alargamento…
Quanto a mim e, portugueses é, um acção incivil,
Porque raio de Salazar passou pra Vinte Cinco d’Abril,
Se nada fizeram por tão mediático monumento?...
DOIS AMORES CASA DE DOIS AMORES.
A casa é o retrato de seu dono."
(Antero de Figueiredo
"É a casa que deve ser honrada pelo dono,
e não o dono pela casa."
(Cícero)
Nossa casa será um hospício
Pois somos loucos um pelo outro (?)
Em nossa casa existe bem saliente isto:
Gosto! Beleza! Adorno a rigor a cada canto,
Painéis d’azulejos decorativos que são um encanto,
Aqui no bairro é única afirmo e, insisto!
Vejam o portão decorado d’azulejos que adianto,
Com trovas! Sonetos onde com amor tudo registo,
Quando a ramada das Glicínias no auge assisto,
A um quadro, de cor, perfume de causar espanto!
O terraço foi decorado d’azulejos artísticos;
Paredes com sonetos românticos, talvez místicos,
Ou seja, um oásis, onde o amor, voa imenso…
Enfim, uma casa feita com suor d’emigrantes;
Uma casa, feita de raiz pra dois amantes,
Eis o DOIS AMORES pra Dois Amores assim penso!
. DOIS AMORES CASA DE DOIS ...